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GOVERNO DO ESTADO

Michel Temer: das reformas ao "salve-se quem puder"

O presidente luta para enterrar a segunda denúncia enquanto a perspectiva de futuro é de tempos cada vez mais difíceis e completamente imprevisíveis

Por Douglas Cordeiro
05/10/2017, às 00:10 - Atualizado em 05/10/2017, às 19:10

A nomeação do deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) como relator da segunda denúncia contra Michel Temer escancarou de vez o racha do ninho tucano em relação ao apoio ao presidente.

A insatisfação dos caciques do partido ficou evidenciada no recado enviado a Bonifácio pelo também deputado mineiro, Marcos Pestana. O relator tinha duas alternativas: ou se licenciava do PSDB ou seria retirado da Comissão de Constituição e Justiça. A licença parece que vai ser o caminho escolhido.

É bem verdade que essa confusão foi gerada pelo presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) que tem pretensão de se candidatar a governador de Minas Gerais e viu na indicação de Bonifácio de Andrada uma forma de afagar um possível aliado, que por sinal, é tucano mas não se bica com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Com o enfraquecimento de Aécio, aliado de primeira hora de Temer e o fortalecimento de Tasso Jereissati, o PSDB fica cada vez mais perto da oposição ou pelo menos, de sair do governo.

Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Deixando de lado as articulações mineiras para 2018, o fato é que Temer tem um senhor problema para resolver nos próximos dias. Primeiro, o esforço é para enterrar a segunda denúncia. O balcão de negócios já está em pleno funcionamento e como não há mais disponibilidade de recursos para atender as “demandas” dos parlamentares, grande parte das promessas está sendo feita na base do fiado. Isso mesmo, acerta agora para entregar apenas ano que vem. Do mesmo jeito que é feito em pequenas cidades onde o comerciante anota as compras no “caderninho” para receber quando sair o salário do comprador.

Outro sinal de que as coisas não vão nada bem para o presidente é que além do PSDB, o PSD do ministro Gilberto Kassab já ameaça fechar questão a favor da denúncia. Ninguém acredita que isso ocorra mas era impossível pensar que fatos como esse pudesse, pelo menos, ser cogitados até bem pouco tempo.

Senador Aécio Neves (PSDB-MG)

Os partidos do chamado “centrão” continuam cobrando mais espaços e pressionando pela retirada dos cargos ocupados pelos tucanos. Um pleito justo levando em conta a fidelidade destes partidos.

Outro que tem se tornado uma pedra no sapato de Michel Temer é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que resolveu trocar a cozinha do Jaburu pelo tempero da senadora Kátia Abreu (PMDB-GO). Os jantares na casa da parlamentar têm sido frequentes. As companhias, Renan Calheiros (PMDB-AL), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) e outros opositores ao atual governo. Há tempos que Maia anda insatisfeito com a atuação de peemedebistas em disputar depurados e senadores que estariam decididos pela filiação no DEMOCRATAS e terminaram desistindo e assinando ficha de filiação no PMDB. O presidente da Câmara também não poupa críticas a articulação política Palácio do Planalto que ele considera fraca e equivocada.

O fato é que após a votação da segunda denúncia, dizem os principais analistas políticos, não sobrará mais força para aprovar, por exemplo, a reforma da previdência, considerada essencial para o equilíbrio das contas públicas. Isso, sem contar a reforma tributária e outras questões importantes para a governabilidade do país.

Presidente Michel Temer (PMDB)

Some-se a isso os 3% de aprovação. Nunca antes na história desse país um presidente atingiu um nível tão baixo de aceitação. Para piorar, as pesquisas também mostram, diferente do acontecia antes, que para a população, a recuperação da economia não é atribuída ao governo. O que ainda segura Temer no cargo é que como ele, boa parte dos políticos está pendurada em denúncias de corrupção e pelo bom e velho corporativismo prefere deixar com está para ver como fica e a proximidade do pleito eleitoral faz com que a classe política preferi evitar maiores turbulências.

Portanto, o futuro que se desenha é de um governo que vai finalizar o mandato sempre se defendendo de acusações, rezando para não surgir novas denúncias, fazendo uma coisinha e outra ali, tentando se salvar. Diferente do que Temer anunciava, quando assumiu o mandato, que seria o governo das mudanças terminou virando o governo do salve´se quem puder. A conferir.

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