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Piauí usará tecnologia pioneira na produção de minério

A área tem em torno de 15 milhões de toneladas, uma reserva que pode ser explorada por mais de 50 anos, modificando todo o perfil socioeconômico da região

Por Wesslley Sales
11/10/2017, às 01:10

Bonfim do Piauí, Fartura, São Lourenço e São Raimundo Nonato estão assentados sobre uma montanha de minério de ferro. A pesquisa geológica feita pela SRN Mineração mostra algo em torno de 15 milhões de toneladas, uma reserva que pode ser explorada por mais de 50 anos, modificando todo o perfil socioeconômico da região e levando o Estado a ser o terceiro maior produtor do país.

Atualmente o projeto está em fase de captação de recursos, mas até o final do próximo ano deve entrar em produção. As pesquisas mostram que a reserva piauiense é de uma variedade que ainda não foi explorada no país, um minério de ferro com peculiaridades magnéticas encontrados atualmente na Austrália e no Chile. 

“Nessa região a característica de formação geológica é 96% minério de ferro magnetita. Será a primeira vez no Brasil que se explora esta variedade. As aplicações são as mesmas da hematita (mais comum), mas com a qualidade de potencializar o enriquecimento do minério por causa do magnetismo”, afirmou o presidente da empresa, Marcelo Prado.

Outra novidade para a área mineradora no país e no mundo está sendo aplicada no Piauí. Com a reserva encravada em uma região que sofre com a estiagem a SRN Mineração precisou se adaptar às situações climáticas e de escassez de água. Desta forma, não só venceu as dificuldades como conseguiu evitar impactos ambientais e riscos de acidentes graves, como o rompimento da barragem de rejeitos de mineração ocorrido em Marina-MG.

Governador do Piauí Wellington Dias e o presidente da SRN Mineração, Marcelo da Silva Prado

“Simplesmente não existe este risco porque não teremos barragem. Todo nosso processo é a seco desde a britagem, a moagem e a separação, onde enriquecemos o minério. Vamos usar o magnetismo e separar por imas, sem utilizar água. Durante a fase de pesquisa ficamos quase 2 anos e meio sem uma gota de água. Para se ter uma ideia, uma tonelada de minério precisa de mil litros de água, então este seria nosso maior obstáculo. Por isso desenvolvemos uma tecnologia a seco que foi vencedora da etapa inicial do projeto Inova Mineral”, explicou.

Marcelo Prado disse ainda que o rejeito da atividade pode ser disposto de tal forma a criar açudes para acumular água de chuva. Vencidas estas dificuldades o minerador lamenta que, pela falta da ferrovia Transnordestina, a produção terá que seguir em escala menor. Todo o transporte do minério terá que acontecer em caminhões.

“Seguindo nosso cronograma o Piauí poderá ser o terceiro produtor do Brasil com a estrada de ferro. Mas, por enquanto vamos trabalhar em escala menor porque a ferrovia para exportação, que fica a apenas 100 km do projeto, não está pronta. Assim, estamos visando mercado interno, como uma siderúrgica no Ceará e na região de Açailandia-MA. Nosso objetivo é chegar a extrair de 100 a 200 toneladas por ano”, garantiu.

A SRN Mineração está buscando parceria com o Instituto Federal do Piauí para que, assim como existe em Paulistana, seja disponibilizado cursos de formação na área mineral para a comunidade local. Marcelo Prado concluiu afirmando que o projeto já emprega piauienses e deve aumentar o número de postos de trabalho, mudando ainda a qualidade de vida e a distribuição de renda na região.

“Estamos falando a princípio de mais de 60 empregos diretos. Apesar de São Raimundo Nonato ter economia mais diversificada, até mesmo por causa do turismo, os demais municípios têm IDH abaixo. O Estado do Pará não é o quinto PIB do país à toa. É a mineração. Isso faz com que cidades pequenas passem a ter IDH perto de capitais”. 

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