Demagogia insaciável: "O Rei que não queria ser réu"

O Rei de botas sujas, que usurpou o poder da Rainha desbotada, foi denunciado a ser réu, através da Justiça de capas pretas

Por Arnaldo Eugênio
23/07/2017, às 21:52 - Atualizado em 23/07/2017, às 23:40

[...] certo dia cinza de clima tropical, num Reino improvável com súditos de consciência imobilizada, o Rei de botas sujas, que usurpou o poder da Rainha desbotada, foi denunciado a ser réu, através da Justiça de capas pretas à moda da causa, por corrupção passiva, obstrução da justiça e organização criminosa.

Em meio à tempestade corrupta que inundou o Reino improvável foram feitas denúncias ilustradas com fatos emblemáticos, onde o Rei podre fingiu não temer ser ele um réu, se colocando como o paladino da clareza da verdade dos fatos falhos e não como um rato de gravatas, desfilou arrogantemente sobre a areia movediça. Para os seus asseclas plantonistas – inimigos declarados do Povo – era inadmissível acreditar que se fizesse uma avaliação dos fatos precipitada e maculada por paixões políticas ou ideológicas, ou ainda por partidarismos de quaisquer espécies, pois estava em foco a dignidade e a honra do Rei (sujo e oportunista).

Mas, o fato é que o Rei já estava nu e exposto na rede teleguiante, diante a multidão de famintos e miseráveis – as vítimas e mantenedores da impigem parlamentar –, disfarçando não temer à má sorte da morte, mesmo sendo acusado de um rol de abusos e de agressões aos direitos individuais e à condição de cidadania dos súditos do Reino – que ainda não é uma Nação. Trata-se de um Reino de corrupção endêmica, onde a prevalência do ordenamento legal, moral e as relações democráticas são circunstanciais, e dependem da sede de interesses do Rei, dos seus amigos e da apatia popular.

À época, segundo averiguação sistemática da polícia de cavaleiros federais do próprio Reino, o Rei sujo nunca foi coadjuvante de uma comédia bufa, mas, verdadeiramente, “the big boss” da sua laia de comerciantes pinhantes. Mas, o Rei corrupto, que seguiu a tradição do jogo de homens cínicos, sempre disse não temer uma inquirição invasiva, pois do alto de toda a sua arrogante, mesmo desprovido de apoio popular e respeito internacional, e fingindo civilidade burguesa, agarrava-se a verdades efêmeras e a togas de cifráveis.

O rei que não queria ser réu

Numa inversão de valores, os “babões do Rei” – tão corruptos e inconfiáveis quanto o ímprobo do esquema –, o defendiam dizendo ser um acinte à dignidade pessoal do rapinante e ao cargo que este ocupava acusá-lo de qualquer ato venal. Todavia, como alertou-nos Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832), um importante romancista, dramaturgo e filósofo alemão: “uma doutrina falsa não se deixa desmentir, pois repousa na convicção de que o falso é verdadeiro. Mas é-se capaz, e pode-se, e deve-se, repetidamente proclamar o contrário”.

A blindagem política do Rei réu, feita de ouro e cargos, tentou resistir, mas sucumbiu à própria arrogância, ao cinismo dos seus asseclas oportunistas e às dores morais e econômicas infligidas aos súditos. Assim, a revolta popular organizada e virtuosa foi um elemento fundamental para criar as condições necessárias à derrubada do Rei e de seu exército de homens vis. Pois, quando o Povo foi humilhado e expropriado até a última migalha de prata e suor, o Rei arrogante não se deu conta da fúria provocada, devido à fome e a sede incontidas pelo poder.

Depois da queda do Rei mofado e a desmoralização pública dos seus asseclas, os súditos comemoraram juntos por noites e noites a luta vitoriosa e mais bem-sucedida, feita por mulheres e homens probos, superando os seus limites e transformando as suas interrelações e interesses em modelo de sociedade justa, solidária e democrática, onde o Reino é de e para todos.

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