O PSL mostra que é um partido para o bolso

O fato político mostra a utilidade fim dos partidos de aluguel, que são fundados para serem afundados ou fundidos depois das eleições

Por Arnaldo Eugênio
13/10/2019, às 12:30

O racha político entre o Partido Social Liberal - PSL e o presidente Jair Bolsonaro, em pouco mais de nove meses depois de assumir a presidência da República, não é surpresa, para os politicólogos, partidários e simpatizantes da Ciência Política, em função do histórico de migração e/ou infidelidade partidária do filiado e o nanismo político do partido, fundado em 1994.

O fato político mostra a utilidade fim dos partidos de aluguel, que são fundados para serem afundados ou fundidos depois das eleições e expõe uma das características do viciado sistema político brasileiro, que sobrevive de minirreformas em véspera de eleições, como forma de manter o caciquismo partidário e manipular a distribuição do fundo partidário e o tempo de propaganda política.

Primeiro, é fato que, a ideologia, o caráter de estadista e a fidelidade partidária não são virtudes políticas em Jair Bolsonaro, pois desde que ingressou na vida política, em 1988, já mudou, indiferente às consequências, de partidos nove vezes (1988 a 1993: PDC; 1993 a 1995: PPR; 1995 a 2003: PPB; 2003 a 2005: PTB; 2005: PFL; 2005 a 2016: PP; 2016: PSC; 2017: PEN; 2018: PSL). Em comum, a instrumentalização e o aluguel do partido para se eleger e se manter em cargos eletivos sucessivamente.

Segundo, como outros tantos, o PSL é um partido político que nasceu nanico e, historicamente, alinhado ao social-liberalismo. Mas, atualmente, liberal apenas no âmbito econômico, defendendo o conservadorismo nos costumes. O PSL teve dois momentos de visibilidade pública: primeiro, com a eleição de Jair Bolsonaro à presidente da república e, segundo, com as revelações do “laranjal do PSL” na seção mineira - a PF encontrou menções à campanha a presidente de Jair Bolsonaro.

É verdade, então, que o PSL e o presidente do Brasil têm uma relação umbilical, para além da moralidade política. Por exemplo, o ex-assessor parlamentar do ministro do Turismo de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), declarou em depoimento à Polícia Federal que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.

Assim, a saída de Jair Bolsonaro implicará efeito negativo tanto para o partido quanto para o presidente. Com Bolsonaro fora do partido, a tendência é o PSL esvaziar e entrar em crise interna. Pois, na prática, o partido serviu para Bolsonaro apenas como uma sigla de aluguel. A saída de Bolsonaro do PSL fará com que os deputados e senadores fiéis a ele debandem, para não perderem as benesses de asseclas. E trará diferentes consequências políticas para o presidente, os parlamentares infiéis e o PSL.

Há tempos, no Brasil, existem parlamentares (e até ex-parlamentares) que sempre se utilizam de um partido de aluguel (ou de bolso) tão-somente para alcançarem um cargo eletivo. Portanto, não é somente Jair Bolsonaro que entrou na política desprovido de qualquer compromisso ideológico, partidário e com os interesses coletivos.

No caso de Bolsonaro e o PSL, o verdadeiro motivo da insatisfação é a dificuldade da família Bolsonaro para se apoderar do partido e de seus diretórios regionais, que não aceitam a imposição dos nomes do grupo. Portanto, na há qualquer relação com a melhoria da gestão dos interesses coletivos no Brasil.

Senador Major Olímpio (PSL-SP) deve sair do partido / Foto: UOL

nossas redes sociais