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Deixe de ciúme, Presidente Bolsonaro!

O Presidente deveria ter muito cuidado com essa sinalização, pois os militares são famosos por serem leais

Por Genésio Júnior
29/01/2019, às 14:01 - Atualizado em 30/01/2019, às 12:01

A sequência do jogo político desses últimos dias de janeiro, o primeiro mês do Governo Bolsonaro, já estava traçado.

O Presidente iria faturar bem a ida ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e depois iria fazer a cirurgia de retirada da bolsa de colostomia para voltar a ter uma vida normal. Eram dias para surfar nas notícias econômicas e depois colher dias de solidariedade.

Mas sempre tem uma pedra no caminho. Várias pedras. Em Davos, Jair Bolsonaro fez uma aparição simplória, apesar de ter confirmado indicativos importantes, ter surpreendido positivamente em ter se mostrado um neoglobalista, ao firmar compromissos com a sustentabilidade e os “verdadeiros direitos humanos”.

Teve o episódio em que seu adversário de ideias, o  deputado Jean Wyllis (PSOL-RJ), disse que não iria mais assumir seu novo mandato de deputado federal e iria deixar o país com receio de ser morto, tanto com ameaças reais como virtuais a ele e sua família. A Família Bolsonaro e seus apoiadores festejaram o episódio, numa demonstração de descompromisso com a nova posição que têm; especialmente do Presidente, que é chefe de governo e Estado e deve compromisso com o Estado de Direito.

Houve a “Tragédia de Brumadinho”. É bom lembrar que a Vale, dona da Barragem do Feijão que rompeu sexta-feira é proprietária da empresa Samarco, que esteve envolvida direta e imediatamente com o caso de Mariana, também em Minas Gerais. A Vale fez e desfez de governos tucanos e petistas e até hoje não pagou a conta de 3 anos atrás. Bolsonaro ficou exposto, também, face seus compromissos históricos de relaxar com exigências ambientais para facilitar projetos de empresas em nome da melhor dinâmica (?!) econômica.

O Presidente Jair Bolsonaro seguiu para fazer a cirurgia no Hospital Albert Einstein dando evidência de que não deseja, em momento algum, renunciar a um minuto sequer do exercício da Presidência. Ele levou para São Paulo, praticamente, uma parte do Palácio do Planalto. Deixa às claras que está preocupado em exercer, sofregamente, um poder que foi lhe dado como se fosse terminar amanhã.

O site Política Real já destacou que o melhor desse governo deverá vir não do superministro Sérgio Moro, ou do superministro Paulo Guedes, muito menos dos políticos arrivistas que chegaram com Bolsonaro ao poder, mas, sim, dos militares de alta patente que lhe cercam. Bolsonaro, assim que voltou de Davos, passou a despachar no Planalto e recebeu dois generais. Deve ter ouvido.

Nos dias anteriores, se viu o General Hamilton Mourão, o Vice-Presidente que antes parecia um risco, dar renomadas demonstrações, no exercício da Presidência, com cavalheirismo, sem arroubos – dos melhores compromissos nacionais. Tratou com setores diversos da sociedade, incluindo a imprensa, uma relação altaneira e respeitosa. Não fez acusações reativas sobre nada. Tratou o caso Jean Wyllis como um democrata. Sobre a Venezuela, colocou as coisas no devido lugar, falando à tradição brasileira, para tranquilidade dos melhores profissionais do Itamaraty, assim como em óbvia sintonia com as Forças Armadas.

O Presidente Jair Bolsonaro indica, o que não deveria ser, estar preocupado que seu VP exerça a Presidência. O Presidente deveria ter muito cuidado com essa sinalização, pois os militares são famosos por serem leais. No lugar desses sinais de ciúme deveria fazer outras sinalizações, mostrar que é presidente de todos os brasileiros, como prometeu!

Mourão e Bolsonaro / Foto: Metrópoles

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