A fotografia antes da Copa do Mundo

Aqui em Brasília, numa semana de ressaca da paralisação dos caminhoneiros e aumento do dólar só se falou de política e os pré-candidatos à Presidência da República

Por Genésio Júnior
11/06/2018, às 11:00 - Atualizado em 11/06/2018, às 02:08

A pesquisa Datafolha desse final de semana revela algo bastante interessante. Sem Lula, aparecem em destaque o ex-capitão Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (REDE) e Ciro Gomes (PDT). O quarto colocado, em empate técnico com Ciro Gomes, vem o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Isso num cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece na faixa de 30% vencendo num segundo turno quem aparecer. Lula está preso há mais de 60 dias!

Por que isso é interessante, meus caros? Simples e complicado. Lula está na cadeia e se mantém forte no desastre do cárcere. Marina Silva sem partido forte continua lá, sempre bem colocada. Ciro Gomes de quem tanto se fala, está, empatado, tecnicamente, com o até então mortinho da silva, várias vezes gestor do maior estado do País.

Aqui em Brasília, numa semana de ressaca da paralisação dos caminhoneiros e aumento do dólar só se falou de política e os pré-candidatos à Presidência da República. Nas rodas mais inteligentes, nas consultorias mais cuidadosas e os bureaus estratégicos de algumas organizações financeiras mais importantes davam conta da dupla Jair Bolsonaro e Ciro Gomes. Eles aparecem como as apostas para chegar ao segundo turno da disputa ao Planalto.

Essa dupla é vista com preocupação pela maioria dos analistas. Avalia-se que o grau de imprevisibilidade que eles colocam vai muito além dos temores do chamado Mercado.

Essa fotografia vai descolorir até julho? / Foto: O Globo

Como ficaria a classe política nordestina frente a cena da hora? Noutro momento alertamos os não apresentados e lembramos aos conhecedores como o oportunismo de nossos políticos é muito mais que um mera esperteza. Tem haver com nossa formação nordestina. As intempéries e aspereza de nossa terra nos obriga a saber nos agarrar ao que temos e construímos. Isso deriva para um mélange entre o oportunismo e o conservadorismo. Antes o certo que o duvidoso, antes o que se conhece do que o que não se domina.

O Nordeste é a região que mais sofre com a criminalidade e com a crise econômica. Existe uma natural propensão ao que vendem Bolsonaro e Ciro Gomes, que tenta ocupar o espaço dos herdeiros de Lula sem de fato sê-lo.  A classe política nordestina estaria pronta para lidar com esses dois atores.

Existe a pedra no caminho para esses dois, que parecem partes opostas de um mesmo espelho tendo como moldura a postura destemperada que marca a personalidade dos dois. Bolsonaro é contra o politicamente correto, Ciro Gomes usa a virulência para se acomodar entre tantos abusando da retórica. Na verdade, surgem algumas pedras no caminho: Marina Silva é muito bem colocada nas pesquisas regionais que estão sendo feitas pelo Nordeste afora. Marina aparece à frente de Bolsonaro e Ciro em muitos estados na região onde nasceu o Brasil. O ex-governador Geraldo Alckmin já começa a demonstrar, e basta ver suas mídias sociais, que está disposto a deixar de jogar parado, como se diz por aqui. 

Os políticos nordestinos e a sociedade podem naturalmente se apaixonar pelo dualismo ao contrário de Bolsonaro e Ciro, porém é ajuizado acreditar que ninguém que esteja num patamar mediano possa, e deva, ser desprezado. 

Os profissionais da política salientam que um candidato apoiado por Lula, mesmo com a despolitização desse eleitor, teria condições de ir a um segundo turno. Por outro lado, o chamado Centro pode ganhar com uma disputa autofágica que Ciro Gomes e Jair Bolsonaro poderiam empreender. É pouco provável que até a Copa do Mundo surja entre esses algo relevante. Vamos entrar esse período de desconexão da pauta política com essa fotografia. A dúvida é saber o quanto ela descolorirá até julho!

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