Temos que enfrentar logo nossos fantasmas

Para que a Nova República se encerre e encontremos uma Outra República seria razoável enfrentar 2018 com Lula candidato

Por Genésio Júnior
21/07/2017, às 20:22 - Atualizado em 22/07/2017, às 11:37

A semana passada começou com o Presidente Michel Temer no chão de nossa política de arranca-rabos! Terminamos falando do inferno do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo que se ater a uma primeira condenação criminal e toda a implicação que isso envolve.

Muitos avaliam que Temer vai continuar ardendo em chamas. Aqui pra nós, para quem foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes, comanda o maior partido do Brasil por anos a fio, tendo que se confrontar com pesos pesados da política nordestina que não o tolerava, se elegia com poucos votos e tem uma bela mulher que não lhe trai, não dá para negar as evidências. No ambiente parlamentar, não é fácil vencer esse senhor que veio de Itu. Para completar, o então mito da política moderna brasileira, Lula passou a ser o primeiro ex-presidente condenado pela Justiça.

Temer vai enfrentar suas dificuldades, ainda, e nada garante que vai sair ileso, porém não dá para negar que a real possibilidade do ex-presidente Lula ficar de fora das eleições de 2018 é um grande problema para a política e a vida nacional.

Não podemos deixar de avaliar que vivemos numa República Federativa montada em uma democracia representativa em que o “livrinho” estabelece o papel de cada um. O Estado brasileiro vive a sua mais longeva aventura democrática que percorre um século e já entra em quase duas décadas de uma nova centúria. Isso é muito para nós. Estamos vivendo o outono da Nova República que se iniciou em 1.985. Os grupamentos políticos que iniciaram essa aventura já não conseguem mais falar nada à sociedade. Mergulharam todos no lamaçal do financiamento ilegal e na apropriação do Estado numa momento em que o país deixou de ser coadjuvante internacional para ser farol de um novo desenvolvimento com inclusão social.

Ex-presidente Lula

A Justiça deve ser respeitada, assim como a vontade dos outros poderes. Goste-se, ou não, isso vem dando certo no país. O ex-Presidente Lula poderá até ser candidato, pois existem saídas legais, porém ainda teria que encarar uma possível eleição que não se efetivaria visto que o Supremo Tribunal Federal já estabeleceu que ninguém pode assumir a Presidência da República na condição de réu. Lula poderá ser considerado réu em mais quatro processos. São muitos os problemas.

Vivemos uma crise muito séria que precisa se esgotar.  Todas as pesquisas apontam o ex-presidente Lula com 30% de intenções de votos. No Nordeste, essas pesquisas variam, de acordo com os institutos locais, entre 38% e 58% de intenções de votos. Nos últimos anos, Minas Gerais, Rio de Janeiro e os estados do Nordeste têm sido fundamentais para a escolha dos últimos presidentes. Não é ajuizado, se queremos que essa fase maluca se encerre para voltarmos a buscar o desenvolvimento, que um eleitorado decisivo para o país seja rifado em suas vontades. É verdade que Lula conseguiu todo esse apoio no Nordeste graças a um acerto que tirou pobres da miséria, porém deixou os ricos mais ricos. Isso está muito claro, hoje.  

Para que a Nova República se encerre e encontremos uma Outra República, visto que os EUA vivem seu ocaso político e um novo eixo se prenuncia  - seria razoável que enfrentássemos 2018 com Lula candidato, para o bem e para o mal. Temos que virar essa página, e logo!

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