A primeira missão de Santa Dulce dos Pobres!

Ela tem a difícil tarefa de iluminar, apesar de não ter o Espírito Santo, os poderosos brasileiros nesse momento particularmente difícil

Por Genésio Júnior
14/10/2019, às 15:00 - Atualizado em 14/10/2019, às 23:30

O ser humano desde quando saiu das cavernas, na busca de virar civilização, há indícios de sobra - sempre buscou a santidade, algo que saiu do paganismo até a mais sóbria das religiões ocidentais. Mas isso não era coisa só dos ocidentais. Os homens santos, tão comum entre os hindus, também nos persegue.

O mais intelectual e cerebral, talvez, dos santos que foi Santo Agostinho ao falar do pecado dizia que isso é eminentemente humano e que não existia santidade entre os viventes, para ser santo que se morra e vá para o Céu!

O Brasil não é mesmo para amadores. Neste domingo, 13 de outubro, dia seguinte ao Dia da Padroeira do Brasil, Santa Aparecida, foi realizada a canonização da agora Santa Dulce dos Pobres. O interessante é que Santa Dulce é a primeira santa brasileira e nordestina.

Acabou o lado interessante. Agora vamos a carne de pescoço.

O Brasil ganha sua primeira santa que tem origem no Nordeste e que se notabilizou pelas ações assistencialistas e que se identificava com os muitos pobres. Ela manteve ao longo da vida uma interseção com os poderosos, tirava o que podia deles para dar aos pobres, mas nunca os questionou.

A esquerda sempre questionou esse tipo de religioso, mas hoje, na verdade há muito tempo, se derrete com a força de Santa Dulce.

Santa Dulce chega num momento que temos o mais evangélico dos presidentes da República mesmo sendo batizado católico. O Brasil teve um luterano presidente da República, o poderoso Ernesto Geisel, que nunca fez questão de falar de sua fé para um país, há época, iminentemente católico

Temos um Presidente da República que faz questão de ir todo culto evangélico que pode e que está em crise com a Igreja Católica a olhos vistos.

Bolsonaro no Dia da Padroeira evitou por todo o dia se manifestar nas redes sociais e só no final da tarde, após ir ao Santuário de Aparecida, é bom lembrar que foi o primeiro presidente da República a ir aquele local no dia 12, em dia de celebração – ele ele fez publicação.

Bolsonaro por toda a manhã desse domingo, 13 de outubro, da canonização, não se manifestou nas redes sociais. Preferiu, racionalmente, fazer uma balanço dos trabalhos de seu governo neste início de outubro.

O Brasil vive esse mau momento de baixíssimo crescimento, abaixo do que se esperava para esse início de novo governo; um presidente arredio na relação com a mais tradicional religião nacional e vem à lume uma santa nordestina, vindo da região brasileira que tem mais resistência ao novo poderoso.

O Brasil não precisa de mais crises do que as que já tem. Uma crise entre católicos e evangélicos não seria nada bom, seria péssimo. O Brasil precisa, como diz Bolsonaro, da união de todos para ajudar o “nosso Brasil”. O problema é que o nosso presidente é o primeiro a criar essas crises.

Como falei: o lado interessante se acabou - é só carne de pescoço! Santa Dulce dos Pobres já tem sua primeira missão que vai além de sua missão original de cuidar dos pobres da Bahia, região onde nasceu o Brasil. Ela tem a difícil tarefa de iluminar, apesar de não ter o Espírito Santo, os poderosos brasileiros nesse momento particularmente difícil, quase impossível, de nossa vida cívica onde literalmente se vê diabos em corpos de bons homens e boas figuras como incapazes de ações de fôlego.

Eita Brasil, esse país não é para amadores!

Santa Dulce dos Pobres / Foto: O Globo

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