Agora, contem com a paciência de Jair Bolsonaro!

Essa “boa briga” que disse Bolsonaro envolve os Andreazzas e Delfins modernos - no caso Paulo Guedes e a dupla Rogério Marinho e Tarcísio Freitas

17 de agosto de 2020, às 14:00 | Genésio Júnior

O mercado financeiro no Brasil, a antiga Bolsa de São Paulo, BM & FBOVESPA, agora B3, fecha às 17 horas da sexta-feira, mas isso é só para alguns. Neste final de semana, só se falou das desconfianças no mundo econômico e isso passa pelo donos do capital, que estão espalhando na chamada economia real.

O chamado mundo da Avenida Faria Lima, e não da velha Avenida Paulista, continuou pegando fogo no final de semana. Só se fala da “boa briga”, como disse Bolsonaro, que existe dentro do Governo Federal.  A XP Investimentos divulgou pesquisa com 70 gestores de recursos dizendo que o mundo vai se acabar se o teto de gastos for rompido.

Com isso fui “exercitar” frente nossa recente história. No final dos anos 60 até meados dos anos 80 se falou muito do grande obreiro que foi Mário Andreazza - ministro dos Transportes de Costa e Silva e Médici depois do Interior(o que virou depois Integração Nacional e hoje, Desenvolvimento Regional). Ele fez grandes obras federais que mudaram o Brasil, assim como estruturou nossa Marinha Mercante que foi um orgulho durante anos não só para o Brasi, mas para América Latina.  Ele fez muita coisa tendo que enfrentar as restrições fiscais impostas por Delfim Neto.

Naquela época, a Faria Lima não mandava no Brasil, a maior força de nossa economia era a indústria que adorava Andreazza. Hoje, a indústria perdeu importância e o setor de serviços, onde está o mundo financeiro, é que manda em nossa economia.

Essa “boa briga” que disse Bolsonaro envolve os Andreazzas e Delfins modernos - no caso Paulo Guedes e a dupla Rogério Marinho e Tarcísio Freitas. Na verdade, é entre Paulo Guedes e Rogério Marinho, que não tem o charme e os olhos verdes de Andreazza, mas encanta, e muito!

Não se pode dizer que é uma briga entre a responsabilidade fiscal e obreiros irresponsáveis. Paulo Guedes nunca vai calçar os chinelos de Delfim e nem Rogério Marinho é um irresponsável. Guedes nunca teve 1/3 da habilidade de Delfim, Andreazza era político, sim, no entanto se Marinho é político, também, seu trabalho na reforma da Previdência não nos permite chama-lo de irresponsável.

Muitos empresários, que não se deixam levar pelos donos da verdade que habitam a Faria Lima, sabem muito bem que Guedes poderia ter evitado essa pressão de hoje se tivesse usado o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para não depender só do Mercado Financeiro.

A vida pública está dando a Bolsonaro satisfações de popularidade que Guedes imaginava só dar a ele no segundo semestre deste ano se não tivesse sido pego pelos efeitos da pandemia. Guedes não é político, não soube ver o tinha mais adiante, além de suas perspectivas de realizações de sonhos liberais. Está se dando mal.

Os militares estão dando suporte a Rogério Marinho, a estrela do momento na política nacional face sua disputa com Paulo Guedes - eles que viram os militares terem se prepararem para sair de cena no final do governo de Ernesto Geisel, qual sabia que a crise do petróleo iria levar o Brasil a anos seguidos de mal resultados, que iriam trazer os políticos de volta - sabem que não podem virar reféns da história como Geisel virou. A pandemia vai deixar muitas marcas, não terá o impacto que teve a crise do petróleo daqueles anos - o crescimento virá logo.

Guedes errou lá atrás e agora tem que contar que Bolsonaro tenha paciência. Se Bolsonaro entender que pode esperar para o final do ano que vem mais obras, tudo se arranja. O povo parece dominado com o auxílio emergencial, que pode continuar ganhando algo mais com um renda Brasil que virá, com ou sem nova CPMF.

Para Guedes e Marinho, o melhor é que Bolsonaro tivesse paciência. Bem, se tiver!

Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho / Foto: EXAME