Apesar de tudo, até agora ninguém morreu nesse jogo!

As oposições mais à esquerda parecem sem rumo, até porque os centristas ainda correm o risco de montar uma renda mínima que não será mais só um bolsa família

15 de junho de 2020, às 11:30 | Genésio Júnior

A semana terminou com a decisão liminar do ministro Luiz Fux, STF, ao interpretar ação movida pelo PDT sobre o artigo 142 da Constituição Federal, que trata de se convocar as Forças Armadas para manter a ordem quando os poderes se desentendem.

Em sua decisão, ele diz que as Forças Armadas na defesa da Pátria, na garantia dos poderes constitucionais e na garantia da lei e da ordem não acomoda o exercício de poder moderador entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O Presidente Jair Bolsonaro, em nota, publicada no Twitter que foi assinada, também, pelo Vice-Presidente General Hamilton Mourão e o Ministro da Defesa, General Fernando Azevedo, tratou do assunto.

Em momento determinante da nota é dito: “As FFAA do Brasil não cumprem ordens absurdas, como p. ex. a tomada de Poder. Também não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos.”

Nesta semana, vai continuar o Inquérito da Fake News. Ele ganha mais intensidade, pois o habeas corpus que buscava aliviar a barra do ministro da Educação, Abraham Weintraub, não deverá ter sucesso, como tudo indica. Nesse sábado,13, o Governo do Distrito Federal, comandado pelo governador Ibaneis Rocha, que tem simpatia por Bolsonaro, mandou retirar o grupo ultrarradical  “300 do Brasil”, aquele das tochas e tudo mais, do local onde estava acampado na Esplanada dos Ministérios; de quebra mandou fechar a mesma Esplanada para manifestações. Em nota, disse que não era contra elas, mas que tinha que ser tudo combinado e autorizado pela Polícia do DF.

Muita gente vê que tudo indica que nada vai mudar nesse clima acirrado, sem contar que teve a sugestão feita pelo Presidente Bolsonaro para que seus apoiadores entrassem em hospitais de campanha para ver se eles estão ocupados e se o dinheiro público estava sendo bem usado. Os governadores, especialmente do Nordeste, reagiram em “carta” dizendo do erro do pedido, falando em desrespeito e que se coloca vidas em risco.

Nada se acalma. O leitor e a leitora preocupado deve ser informado que não haverá calmaria e muito menos um levante que venha ferir, mortalmente, nossas rotinas democráticas. O Presidente Bolsonaro mesmo com todas as dificuldades mantem um de 30% de apoio na população. Em tese, esse apoio deveria ser menor com tantas dificuldades que ele tem para tocar seu governo, pela nítida incapacidade de montar uma política clara de ações.

Pesquisas já apontam, que mesmo com tudo isso, ele parou de perder musculatura política. É esperado com a manutenção do auxílio emergencial e com a chegada de boa parte da turma de políticos de centro para apoiá-lo que ele ganhe algum fôlego. As dificuldades parecem tremendas, mas para quem faz o que faz, tudo é possível, arrisca-se dizer. Bolsonaro, apesar da confusão e de tantas brumas, decidiu que vale à pena engrossar o caldo e mantém sua turma unida para mais adiante contar com o apoio dos centristas. Não falo aí dos políticos de centro, que já deixaram no caminho outros até mais organizados, mas trato aqui do eleitorado de centro.

Quando a economia voltar a reagir, e isso acontecerá, cedo ou tarde - apesar dos economistas internacionais (FMI, Banco Mundial e OCDE) indicarem quadros piores para nós - essa turma, que não cheira e não fede, tende a medir consequências. Vale à pena ficar com esse aí ou apostar em outro do mesmo tipo?

As oposições mais à esquerda parecem sem rumo, até porque os centristas ainda correm o risco de montar uma renda mínima que não será mais só um bolsa família. Essa é uma cartada que não pode ser deixada de lado.

Muita imprevisibilidade, é certo, mas não duvidem: ninguém está morto nesse jogo.

Presidente Jair Bolsonaro / Foto: Último Segundo


Coluna Passando a Régua

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