As dificuldades com a Região Nordeste

O comando da República, nesse início de 2019 e por ao menos ano e meio adiante, não terá nordestinos na cabeça dos poderes

Por Genésio Júnior
22/07/2019, às 12:00 - Atualizado em 23/07/2019, às 08:00

Esse episódio do vazamento de um áudio em que o Presidente Jair Bolsonaro, antes de uma entrevista no Palácio do Planalto, fala que os nordestinos são “Paraíba” para expor toda a sua irritação com o governador do Maranhão, Flávio Dino(PC do B), mais que funcionar como combustível para os adversários do governo e àqueles que desconfiam das práticas do chefe de governo e Estado, representa uma inegável dificuldade de nosso presidente lidar com o Nordeste do Brasil como um todo.

A região Nordeste foi a única que impôs derrota a sua vitória com 57 milhões de votos sobre adversários que se imaginavam invencíveis. O Presidente Bolsonaro formou seu primeiro escalão de governo, sempre defendendo que não iria compartilhá-lo com os partidos, sem a presença de gente importante da sociedade nordestina.

O Presidente colocou para tomar de conta dos programas sociais, principalmente o Bolsa Família que tanto sucesso fez na região, o mesmo gestor que operou o programa no Governo Temer. O Presidente até o momento não fez uma grande viagem ao Nordeste nos seus seis meses de governo. Foi a Pernambuco, num evento controlado pelo articulado Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do Governo Bolsonaro e que é de uma família que está na cena nacional desde o fim do segundo império.

É verdade que o governador do Maranhão, Flávio Dino, é o maior crítico da figura pública do Presidente da República e do seu ex-colega de magistratura, Sérgio Moro. Destaque-se que Dino usa do ambiente das redes sociais, que tanto preza o bolsonarismo, para fazer esses contrapontos, até porque quando há eventos institucionais dos governadores com o Presidente e o Governo vê-se comedimento do governador maranhense.

O comando da República, nesse início de 2019 e por ao menos ano e meio adiante, não terá nordestinos na cabeça dos poderes. De forma pouco comum, independente da ausência de nomes vindos do Nordeste no Executivo, também não tem gente nordestina nem no comando da Câmara, do Senado, muito menos do Judiciário. 

É bom ressaltar que a turma do Nordeste tem importante participação entre os partidos de centro que vêm dando sustentação ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a liderança do momento no País, mas isso não surge para os signos que animam o grande público.  Isso é sabido pelo Presidente, que pela ausência nas andanças nordestinas gera inegável desconforto.

O Presidente Bolsonaro deve ter sido informado que os nordestinos são famosos por adorarem o santo da hora. Não se quer saber do santo, mas do milagre. Como a atividade econômica ainda não avançou o povo dessa região ainda continua encantado com o que viu no passado, que já se vai em cinco anos. O Presidente tem índices nada bons de popularidade no Nordeste comparado com o resto do país, especialmente no Sul do Brasil. 

O Presidente da República tem que encarar de frente as dificuldades nordestinas. Ainda não lhe avisaram que é melhor ele olhar nos olhos dessa gente, buscar âncoras regionais e mostrar que é de fato casado com uma filha de nordestino.

O Presidente cometeu muitos erros nessa questão regional, mas nada está perdido quando se tem disposição para aceitar erros. O Presidente já fez isso quando reconheceu que errou na articulação política. O Presidente está mais à vontade no cargo após fazer mudanças em seu ministério, ver o super Sérgio Moro reduzir de tamanho, Paulo Guedes ficar dependente de sua arrogância ideológica pelo liberalismo assim como os militares baixarem seu calor.

A desenvoltura presidencial para alguns assuntos merece se estender, para ver que pode avançar bem na questão regional e nordestina.

Jair Bolsonaro / Foto: Exame

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