O mês de agosto ainda tem mais pesadelo!

Semana se inicia com o anúncio de Bolsonaro que vai representar os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso

16 de agosto de 2021, às 11:00 | Genésio Júnior

Chegamos ao meio do mês de agosto. Ainda tem muito pela frente, deste mês fatídico para nossa vida púbica.

A semana se inicia com o anúncio do presidente Jair Bolsonaro de que vai representar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, por crime de responsabilidade (impeachment) por eles estarem atuando além de suas prerrogativas, particularmente, foi destacada a liberdade de expressão - numa clara referência da decisão de Moraes que mandou prender o presidente do PTB, Roberto Jefferson, que se transformou - depois de apoiar todos os governos anteriores - num radical de extrema-direita.

O que chama atenção nisso tudo é que foi divulgado, e não foi negado, que na terça-feira (10/08), o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, recebeu o vice-presidente general Hamilton Mourão. Ele questionou o também general da reserva, que um dia já sugeriu intervenção militar, se as Forças Armadas estariam propensas a um golpe militar com Bolsonaro no poder. Ele disse que as Forças Armadas respeitam a democracia e que isso não tinha condições de acontecer. 

No sábado (14/08), dia em que Bolsonaro anunciou que vai processar os ministros no Senado Federal, houve a entrega dos espadins aos alunos do 1º ano da Academia das Agulhas Negras, em Resende (RJ), oportunidade em que o general Braga Netto, ministro da Defesa, afirmou que as Forças Armadas sempre foram protagonistas na Nação e que era alinhada com o chefe supremo das Forças Armadas, o presidente da República.

Os posicionamentos dos dois generais, hoje na reserva, deixa evidente que não existe unidade para que Bolsonaro, caso derrotado nas eleições presidenciais de 2022, empreenda algo até inimaginável para uma das 20 economias do mundo que é terceira maior democracia do Planeta: um golpe de Estado. 

Parece loucura imaginarmos que um país onde as pessoas estão infelizes, vivemos tremendas dificuldades econômicas e sociais a ponto de ser notório que as famílias estão adiando seu sonhos em nome da sobrevivência, frente a uma impressionante derrota da natalidade em face da mortalidade aliado ao fato de que os filhos e filhas da geração posterior poderão ter menos escolaridade que a geração anterior possam admitir que aceitemos dar tamanho passo atrás. Caminho de republiqueta e não de uma país com nossa dimensão!

Cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça! Diz o brocado popular! Os muito jovens estão desiludidos com o futuro próximo e se assustam com o porvir.  Existe uma onda conservadora no Planeta, que no Brasil tem sua força face aos erros profundos dos chamados progressistas.

As manifestações dos generais, onde se vê Braga Netto, como o mais alinhado ao bolsonarismo radical, e Hamilton Mourão, como um militar esclarecido, nos dá algum alívio e tranquilidade para o presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) decidir sobre o pedido de Bolsonaro.

Ninguém com algum juízo arrisca dizer que Pacheco vá atender o pedido do chefe do Executivo. As críticas às decisões dos ministros do Supremo precisam ser ditas e postas, faz parte do jogo, mas impor a eles afastamento por tomarem decisões para qual são chamados em última instância não tem cabimento. Pacheco com forte e sólida formação jurídica não vai entrar nessa.

O mundo econômico que dá sinalizações de sobra de que prefere normalidade democrática para atuar dará amplo apoio a iminente decisão de Pacheco, que ganhará o discurso de ser o novo moderador de poder no país.

É tudo para sonho dos que não querem saber da polarização. Resta saber se vai ser só um sonho de inverno, em pleno agosto!

Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco / FOTO: FOLHA-UOL


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