O presidente Jair Bolsonaro faz política

A Lava Jato segundo seus adversários ligados ao PT já teria cumprido seu papel de tirar Lula da cena política, ter reduzido a política, como uma atividade de facínoras

Por Genésio Júnior
08/07/2019, às 11:00 - Atualizado em 09/07/2019, às 07:50

O ministro Sérgio Moro, quando muito tiverem lido essas mal escritas, já terá passado pelo teste do Maracanã.

A pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira, feita entre 4 e 5 de julho, em 130 cidades - demonstrou que após as revelações do site “The Intercept Brasil”, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, teve seus procedimentos vistos como inadequados por 58% dos brasileiros. Os mesmo 58% avaliam que se comprovadas as irregularidades divulgadas, possíveis decisões da Lava Jato devem ser revogadas.

Por outro lado, Sérgio Moro tem 52% de aprovação dos brasileiros, bem mais que o apoio que o Presidente Bolsonaro usufruiu - 32%, segundo pesquisa de outro instituto, Ibope. Para 54% dos brasileiros, Sérgio Moro não deve deixar o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.  Os brasileiros foram questionados se a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria justa – 54% consideram justo que ele esteja preso.

O ministro vive seus problemas, no entanto, como ele disse na entrevista que concedeu ao jornal “Correio Braziliense”, a Lava Jato vive um forte ataque, sim.

Moro sabe que seu prestígio é maior que o do Presidente Jair Bolsonaro e associado que é - a cara, enfim, da Lava Jato - funciona como passaporte para que os maus momentos do atual governo sejam suportados. Bolsonaro, todo momento em que é confrontado com a necessidade de entregar resultados, lembra que sucede maus momentos nacionais, de rapinagem e incompetência.

A Lava Jato segundo seus adversários ligados ao PT já teria cumprido seu papel de tirar Lula da cena política, ter reduzido a política, como uma atividade de facínoras e não como a mais nobre das ações humanas.

Há questionamentos mais profundos, pragmáticos de que se a corrupção levada à termo faria com que a economia voltasse aos trilhos. A corrupção drena escassos recursos públicos de seus fins nobres e servem para enriquecimento de alguns poucos. Não se está vendo até agora  esse retorno da economia.

O ministro Sérgio Moro disse na mesma entrevista deste domingo, 7, no “Correio Braziliense” que se divulga que em países em desenvolvimento a corrupção funciona como uma graxa , não como areia. Ele diz que isso é um grave equívoco. Que a corrupção é uma areia que trava as empresas e a sociedade.

A Lava Jato é muito bem vista pela sociedade, mas já tem gente que adorou a saída do PT de cena, a prisão de vários poderosos - de olho na sua temporalidade. “Ela é para sempre?!”, dizem, alguns, entredentes.

Quando muitos e importantes poderosos foram presos, quando empresas estrangeiras começaram a receber reprimendas em seus países, é verdade que bem menos do que vimos aqui – se avaliou que o chamado “Custo Brasil” seria enfrentado, mas o que está se vendo é que o Brasil continua patinando.

Sérgio Moro ainda é muito bem visto. Ele nega que esteja na corrida presidencial. Em Brasília, os movimentos, declaratórios é verdade, do Presidente Bolsonaro por indicar um evangélico para o Supremo Tribunal Federal, sinalizam que Moro está muito mais para candidato a Vice-Presidente da República, em 2022, que qualquer outra coisa.

Sérgio Moro deverá enfrentar muitos outros momentos difíceis em sua breve vida como político. A Lava Jato tende a voltar a ter bons momentos com o retorno da atividade econômica, não que ela esteja ruim das pernas, mas quando se trata de lidar com os ataques sobre sua temporalidade todo cuidado é pouco.

Bolsonaro acerta neste momento em que deverá ganhar de presente dos políticos a reforma da Previdência, seja agora ou em agosto.

Jair Bolsonaro saber usar Moro muito bem / Foto: DW

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