Sobre o problema do suicídio em Teresina

Sofrimentos, angústias e stresses todos teremos mas quando temos um sentido para o sofrimento, então a dor encontra sentido

Por Raphael Bandeira
24/08/2017, às 22:58 - Atualizado em 24/08/2017, às 23:49

Sou recém-chegado à cidade de Teresina desde fevereiro deste ano e notei um problema sério que me chamou atenção: o suicídio.

Segundo o pai fundador da Sociologia, Émile Durkheim, a falta de laços sociais seria um dos principais motivos do suicídio. O suicídio não como um fenômeno privado, mas enquanto um fenômeno social.

Essa abordagem, todavia, nunca me encantou.

O modelo de integração nessa perspectiva, penso, seria então o sucesso. Ter o salário dos sonhos, a casa dos sonhos, o reconhecimento profissional e social dos sonhos, o corpo dos sonhos, a conta bancária dos sonhos, viajar para onde sonhar, a carga horária profissional dos sonhos, o carro dos sonhos, o marido ou a esposa dos sonhos, etc. Seria essa integração social e essa realização do sucesso a felicidade?

Não: apenas passam de sonhos.

Encanta-me, ao contrário, a posição do psiquiatra Viktor Frankl, um profundo conhecedor do assunto. Ele, privado de tudo aquilo que os sonhos poderiam fantasiar e povoar na mente, na qualidade sub-humana dos campos de extermínio de Dachau e Auschwitz, enquanto egresso e sobrevivente, afirma que a felicidade não é algo a se buscar. Não se busca à felicidade, mas sim, ao contrário, busca-se o sentido. Sofrimentos, angústias e stresses todos teremos. Talvez não na situação extrema de um campo de extermínio, mas quando temos um sentido para o sofrimento, então a dor encontra sentido. Logo a resposta para o enigma é inversa: a busca de sentido para as desventuras da vida. Apresenta, assim, uma fórmula matemática, em que Desespero é a Sofrimento sem Sentido (D=S-S).

DESESPERO = SOFRIMENTO - SENTIDO

Nick Vujicic

A sociedade de consumo cria necessidades diversas, mas a necessidade de sentido não é satisfeita. O materialismo e o individualismo não contribuem para um encontro com a felicidade. É um bumerangue, se retorna ao caçador é porque não atingiu a caça.

Essa “obrigação” de estarmos sempre felizes, a pressão social exercida em redes sociais, mesmo a ONU estabeleceu o Dia Mundial da Felicidade no dia 20 de março, além de certas Constituições como a do Japão e da Coréia do Sul expressamente reconhecerem o “direito à felicidade”, todo essa busca da felicidade, enfim, apenas encontra a frustração. O psiquiatra Viktor Frankl chega a afirmar que a “busca da felicidade” encontrada na Declaração de Independência Norte Americana é uma contradição em termos, pois a felicidade é um sub-produto, e assim deve permanecer, da procura de um sentido.

A resposto ao enigma é: ter uma tarefa orientada ao futuro que dê sentido.

Uma orientação ou uma causa “além de si”, do hoje e do presente. O sentido está fora de si. É o atingir a caça como no bumerangue. Não é centrar-se no caçador.

Eis o paradoxo: o homem realiza a si mesmo quando sai de si e volta-se aos outros.

Na vida, em alguns momentos passamos por dissabores profundos. Se existe um “sentido” a respeito do qual a pessoa esteja consciente, então esse indivíduo está preparado para sofrer e submeter-se a sacrifícios sem danos a sua saúde.

O sentido não faz diferença se a pessoa é bilionária ou se mora em um barraco.

Sem membros, Nick Vujicic, na foto abaixo, afirma:

- “É MENTIRA QUE VOCÊ NÃO É BOM O BASTANTE!”

- “É MENTIRA QUE VOCÊ NÃO PRESTA PRA NADA!”

- “QUANDO CHEGA A HORA AS DORES DO CORAÇÃO ACABAM!”

- “MENINA, VOCÊ É LINDA E PERFEITA DO JEITO QUE É!”

- “MENINO, VOCÊ É O CARA!”

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