A aparente verdade é mais importante que a própria verdade

O resultado é barulhento, destruidor e de efeitos imediatos. A principal vítima é a verdade, mas traz consigo os “inocentes” úteis que ajudam a liquidá-la simplesmente pelo comodismo

Por Wesslley Sales
28/01/2019, às 12:55

Qualquer criança sabe que é possível conversar por vídeo e voz com qualquer parte do mundo. Que as imagens atravessam continentes em milésimos de segundo. Tudo ao alcance das mãos pelo celular a qualquer momento, em qualquer lugar. Mas, essa tecnologia comunicacional cobra preços, um deles é de que a mentira e a verdade têm agora uma outra e mais complicada versão, a digital.

O mundo mudou e acelera transformações. Saímos da era industrial (início do século XVIII) para mergulhar no período em que as informações chegaram ao ápice, um lapso temporal de décadas entre uma e outra. Agora, temos presente no dia a dia um novo capítulo, a comunicação de massa na era da informação algo que se expande rápido e produz efeitos ainda longe de ser mensurado com propriedade.

Se a comunicação pós internet ganhou em agilidade pela forma em que a sociedade troca informações, por outro revela algo que podemos considerar como a Era da Desinformação. Parece contraditório, mas é uma teoria que começa a ser estuda e mostra que parte do que circula em redes sociais fortalece o que se chama de pós verdade, ou seja, as pessoas passam a acreditar não em informações verdadeiras, em fatos, mas naquilo que querem que seja verdade.

Exemplo é a profusão de notícias falsas. Incautos se informam lendo manchetes e só se utilizam de redes sociais, “viralizando” o que estão de acordo. Estas presas fáceis da desinformação parecem não ter interesse em checar a veracidade antes de repassar algo duvidoso. Uma pesquisa da Universidade de Stanford (EUA-2018) apontou que estudantes americanos tiveram problema para checar a credibilidade das informações divulgadas na internet. Dos 7.804 alunos dos ensinos fundamental, médio e superior, 40% não conseguiram detectar Fake News.

Para o historiador e escritor argentino, Gregorio Caro Figueroa, vivemos um período de pós verdade onde “algo que aparenta ser verdade é mais importante que a própria verdade”. Os exemplos são muitos, basta um olhar nem tão rebuscado antes, durante e depois do período eleitoral. Informações claramente erradas são aceitas e difundidas como corretas, apostando principalmente na desinformação para que esta se propague como rastilho de pólvora.

O resultado é barulhento, destruidor e de efeitos imediatos. A principal vítima é a verdade, mas traz consigo os “inocentes” úteis que ajudam a liquidá-la simplesmente pelo comodismo, preguiça ou pura maldade, fazendo desta que poderia ser uma grande era de comunicação para um período onde apostar na desinformação parece dar mais resultados.

A era da desinformação

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