Convocação do Ministro mostra que o Centrão emparedou Bolsonaro

Nos EUA, onde recebe prêmio de personalidade do ano, o Presidente demonstrou não estar nada satisfeito com a derrota na Câmara e promete cobrar atitude de suas lideranças

Por Wesslley Sales
16/05/2019, às 10:00 - Atualizado em 16/05/2019, às 08:53

Não deu outra. O Ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi à Câmara dos Deputados e entrou no jogo político nesta quarta-feira (15/05), batendo boca com parlamentares durante as explicações sobre o bloqueio no orçamento para universidades e institutos federais. Esse é o tipo de exposição desnecessária que expõe a frágil articulação política da base do Presidente Bolsonaro. Pior, demonstrar a força de um bloco de partidos, o Centrão, que vem ajudando o Governo Federal a colecionar derrotas.

Chama atenção que a convocação do Ministro foi aprovada por 307 votos, um a menos do que o necessário para aprovar em plenário uma Proposta de Emenda à Constituição-PEC, como por exemplo a Reforma da Previdência. Com isso, o Centrão deixa alguns recados para o Presidente Jair Bolsonaro: que sua articulação no Congresso não consegue dialogar e, talvez a mais importante, de que nada passa sem o apoio deste bloco de partidos.

Dos 513 Deputados Federais, 207 pertencem ao chamado Centrão, bloco formado por  PP, PR, PSD, PRB, PTB, PROS, SD e PSC e MD. Esses partidos passam a ser decisivos para emparedar o Governo Federal ao somarem-se aos 133 deputados do bloco de oposição formado por PDT, PT, PC do B, PSB, PSOL e Rede. Enquanto isso, o Presidente Jair Bolsonaro enfrenta dificuldades em manter pelo menos a fidelidade daquela que seria sua base sólida, os 54 deputados do PSL.

A líder do Governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), admitiu que para o Governo a convocação do Ministro não foi “nada agradável”, mas que foi “pedagógica”. Nos EUA, onde recebe prêmio de personalidade do ano, o Presidente Jair Bolsonaro demonstrou não estar nada satisfeito com a derrota na Câmara e promete cobrar atitude de suas lideranças.

A reação dos partidos era esperada. Prova disso é que em novembro do ano passado, um dos líderes do Centrão no Congresso, o senador Ciro Nogueira, avaliava para nossa coluna o que esperar do relacionamento do Presidente Bolsonaro com os parlamentares, uma vez que em campanha rejeitava a “velha política” e faria sua articulação direto com as bancadas: “uma coisa é o discurso de campanha, outra é depois de eleito. Ele terá que dialogar”, sentenciou o presidente do PROGRESSISTAS.

Ministro da Educação, Abraham Weintraub / Foto: O Globo

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