Tristeza? Temos todos os motivos para festejar o Brasil

Pela primeira vez políticos de alta patente estão sendo denunciados, julgados, condenados e colocados atrás das grades. Algo impensável no passado

30 de maio de 2017, às 22:38 | Douglas Cordeiro

Você deve ter estranhado o título deste artigo. Afinal, vivemos um momento político conturbado com reflexos direto na economia do país e na vida das pessoas. A Lava Jato avança, as investigações e delações revelam as entranhas de um setor público profundamente contaminado pela corrupção.

Os resultados, não podemos negar, são devastadores em todos os aspectos. Reputações políticas, até então acima de qualquer suspeita, foram praticamente varridas do cenário nacional. Algumas das maiores empresas brasileiras, com presença em vários países, estão no centro da maior operação de combate a corrupção do Brasil. Descobriu-se que estes impérios foram construídos com base em fraudes licitatórias, contratos fraudulentos e outros benefícios que eram conseguidos com base no “toma lá, dá cá”.

Manifestação de combate a corrupção em Brasília

Nós estamos no olho do furacão. As reformas estão ameaçadas, a recuperação da economia volta a ser afetada pela crise política e o mundo olha para o Brasil com desconfiança. Fomos de novo rebaixados pelas empresas internacionais de avaliação de risco. Um recado claro de que, pelo menos por enquanto, não é tão seguro investir aqui.

Dito isso, vamos voltar ao título desse artigo. Tristes, sim. Mas temos razões de sobra para festejar. Apesar de mais um vez pagarmos a conta, pelo menos até agora, tem sido diferente.

Como consequência dessa devassa na vida pública brasileira, milhões e milhões de reais estão sendo repatriados e devolvidos aos cofres públicos. Não existe mais espaço para práticas ilícitas e a permanência de qualquer empresa no mercado vai depender pura e simplesmente da capacidade de competição e não de quem pagar mais propina. Pela primeira vez políticos de alta patente estão sendo denunciados, julgados, condenados e colocados atrás das grades. Outros estão prestes a trilhar o mesmo caminho. Algo impensável em um passado recente.

O impacto é tão profundo que nem sabemos quem podem ser os candidatos a presidência nas próximas eleições. Quem sobreviverá a esse tsunami? De políticos, confesso que não sei. A certeza que temos, é que a democracia sai fortalecida, uma vez que uma ampla investigação como essa só poderia ser feita com instituições livres e independentes. Ao povo cabe agora a missão de mostrar, nas urnas, apoio a esse processo de depuração. Vamos sobreviver. Vamos ressurgir mais fortes e principalmente, mais limpos. Nada mais será como antes.


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