O "modelo Jair Bolsonaro" de governar e o Congresso Nacional

É necessário esperar as primeiras medidas, as votações, a relação com a Câmara e o Senado para uma avaliação mais precisa

Por Douglas Cordeiro
01/01/2019, às 09:30 - Atualizado em 01/01/2019, às 12:07

A eleição de 2018 indiscutivelmente representou um rompimento com a velha política. A eleição de Jair Bolsonaro, um candidato que, inicialmente, não estava entre os favoritos e gradativamente foi conquistando espaço e acabou vencendo a disputa.

A comunicação foi direta com a população, sem intermediários, via redes sociais. Essa estratégia colocou o eleitor como principal figura do processo eleitoral. O presidente eleito tinha poucos recursos para a campanha, nada de “figurões” no palanque, um partido sem expressividade e um discurso simples, direto, sem linguagem rebuscada.

A formação da equipe seguiu a quebra do presidencialismo de coalizão. Nenhum partido, nem mesmo o PSL, partido de Bolsonaro, ficou com ministério. As escolhas foram feitas com base em critérios técnicos ou indicação das bancadas temáticas.

Até aqui, mantida a coerência do discurso. A partir de 2019, a realidade é outra. O novo modelo será testado. O primeiro desafio é o resultado das eleições dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Desde a redemocratização, todo presidente da República interferia, mais ou menos, nestes processos. A determinação é clara. Câmara e Senado elegem seus presidentes e depois o chefe do executivo começa a dialogar. O argumento é respeitar a independência dos poderes. Bom, mas se não existem candidatos preferidos, estão claros os nomes que não agradam Jair Bolsonaro. Mesmo sem interferência, caso aqueles que não agradam o novo governo sejam eleitos, não deixa de ser uma derrota. Não com todas as letras, mas uma derrota.

O que vai acontecer na Câmara e no Senado vai servir apenas como uma avant-première para avaliar o novo governo. É necessário esperar as primeiras medidas, as votações, a relação com o Congresso Nacional para uma avaliação mais precisa se esse rompimento com a política tradicional vai funcionar ou não.

Os grandes “caciques”, por enquanto colocados para escanteio, não vão ceder facilmente. Quem conhece os bastidores do poder sabe que o silêncio não significa desistência e sim um recuo estratégico.

Independente do que vai prevalecer, a nova forma de fazer política, a tradicional, uma mistura das duas, o que se espera é que o novo governo implemente as medidas necessários para recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento econômico e social. A conferir. 

Jair Bolsonaro / Foto: Exame

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