O Senado Federal e a palhaçada que vai entrar para a história

É essa a renovação da política brasileira? Desrespeitar leis e regimentos de acordo com seus interesses? Não era essa a crítica que os ditos “novos nomes” condenavam durante a campanha eleitoral?

Por Douglas Cordeiro
02/02/2019, às 17:41 - Atualizado em 02/02/2019, às 22:06

Uma palhaçada digna de uma grande show circense. Dois dias de discussão e o Senado Federal não consegue eleger sua própria mesa diretora. A votação começou, de acordo com o regimento, de forma equivocada. Quem deveria presidir a sessão, assim como ocorreu na Câmara dos Deputados, já que Rodrigo Maia era candidato a reeleição, era o parlamentar mais idoso. Não foi o que ocorreu.

Como era esperado, uma liminar do ministro Dias Tofolli, durante a madrugada, anulou a sessão e determinou que a votação fosse secreta. Os EXCELENTÍSSIMOS SENADORES que defendiam a votação aberta, decidiram desobedecer, repito, desobedecer a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal e mostrar o voto, seja exibindo a cédula, declarando no microfone ou publicando em redes sociais.

O voto aberto é uma tendência, é a forma mais transparente, mas tudo precisa ser feito dentro da legalidade, ou seja, é preciso alterar primeiro o regimento do Senado.

Outro ponto é a turma de senadores que não concorda com a votação fechada desobedecer uma decisão judicial, sem entrar no mérito se foi interferência ou não de um poder em outro.

Tomando como o exemplo o que ocorreu no Senado, por que o eleitor quando vai escolher seus representantes não pode revelar o voto? Não pode sequer levar celular para a cabina. Tirou selfie, pode até ser preso. Só que os nossos DIGNÍSSIMOS SENADORES podem fazer o que bem entenderem.

O que esperar quando as reformas estiverem em pauta? Como serão tratados os projetos de interesse do Brasil quando forem apreciados por estes parlamentares?

É essa a renovação da política brasileira? Desrespeitar leis e regimentos de acordo com seus interesses? Não era essa a crítica que os ditos “novos nomes” condenavam durante a campanha eleitoral?

A conta de tudo isso também vai sobrar para o presidente da República. O vazamento da ligação de Bolsonaro a Renan, caso tenha partido da Casa Civil, é uma clara desobediência a determinação do governo de não interferir na escolha. Com a palavra, o homem da ARTICULAÇÃO POLÍTICA, Onyx Lonrezoni.  

O Antagonista teve acesso a um documento que “apareceu” na mesa, no plenário, de alguns senadores que já declararam apoio ao voto aberto.

O texto em forma de “questão de ordem”, que não é assinado, traz um aviso de que o parlamentar poderá perder o mandato se revelar o voto.

Documento divulgado pelo Site O Antagonista

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