Para a oposição, Michel Temer fica e sangra até o final

Os oposicionista viram que não vão conseguir aprovar eleições diretas e escolher um novo Presidente por via indireta não interessa

Por Douglas Cordeiro
01/08/2017, às 02:04 - Atualizado em 01/08/2017, às 02:14

O “Fora Temer” que ganhou força depois da delação de Joesley Batista, dono da JBS, tem perdido força nos últimos meses. Então isso quer dizer que Michel Temer está superando a crise? De jeito nenhum. A última pesquisa do IBOPE mostrou que o Presidente bateu um recorde de impopularidade. Temer tem apenas 5% de aprovação. Tem a votação na Câmara do processo movido contra ele pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva, Janot deve preparar outro por obstrução de justiça e ainda tem o doleiro Lúcio Funaro e o ex-presidente Eduardo Cunha de línguas afiadas apenas esperando a homologação de suas delações. Mais recentemente, a revista Época divulgou planilhas de propinas distribuídas a políticos e Temer tem um núcleo batizado com o nome dele que levou, segundo Joesley, cerca de 22 milhões de reais.

Presidente Michel Temer

Sinceramente, ninguém sabe se esse Michel Temer chega ao final do mandato. Tudo vai depender do surgimento de novas denúncias e da capacidade que ele tem manter uma razoável base de apoio no Congresso. Muitos já pularam fora, outros já estão com um pé fora e os que ficam não devem resistir a mais bombardeios.

A oposição já viu que não conseguirá aprovar as eleições diretas e a escolha de um novo Presidente da República por via indireta não interessa. Por isso, é cada vez mais forte a ideia de que é melhor Temer sangrando até o fim. A estratégia é meramente política. Em 2018, com uma aprovação ainda menor, economia cambaleando, sem as reformas aprovadas e com diversas denúncias pesando contra ele, fica mais fácil o embate político. Que candidato aceitaria Temer em seu palanque ou pedindo voto em programas no rádio ou na televisão? É claro que todos fugiriam dele com o diabo foge da cruz. Então, lentamente, os oposicionistas pisam no freio e mudam de estratégia. Afinal, é melhor disputar com alguém que mal consegue ficar de pé, do que arriscar que em uma eleição indireta apareça um nome que em pouco tempo consiga se viabilizar para as eleições do próximo ano.

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