Qual a diferença entre o Bolsa Família do PT, do PSDB e da REDE?

Mais uma eleição presidencial chegando e, certamente o Bolsa Família novamente será usado por todos os lados cada um defendendo seu ponto de vista

Por Wesslley Sales
30/10/2017, às 03:46

Ao final das eleições gerais de 2014 creditaram a vitória de Dilma Rousseff e do PT no Nordeste às “esmolas” do Bolsa Família. Porém, naquele mesmo pleito Aécio Neves e Marina Silva defenderam e até prometeram ampliar o programa. Então, qual a diferença entre o bolsa família do Aécio, da Marina e da Dilma???? NENHUMA.

Só para começar, este é o ranking nacional dos beneficiários do Bolsa Família no país, onde Sudeste e Nordeste são campeões. O Piauí sequer está entre os cinco primeiros: Bahia tem 1,8 milhão de beneficiados; São Paulo, 1,2 milhão; Pernambuco, 1,1; Minas, 1,1; Ceará, 1,1 milhão. Já os candidatos quando diziam que é preciso ter “porta de saída” do Bolsa Família nunca explicaram como seria isso. Até porque não é possível a curto e nem a médio prazo. 

PSDB, PT e REDE conseguiriam emprego para todos??? NUNCA. Primeiro porque todos eles sabem que boa parte desta geração está perdida para a educação, a verdadeira porta de saída do programa. Sem qualificação não há emprego. Homens e mulheres analfabetos com mais de 30 anos precisando alimentar três, cinco filhos, salvo raríssimas exceções, não teriam a menor chance. Porém, o Bolsa família aposta que mantendo crianças na escola em vez de ir para roça, garantindo carteira de vacinação em dia a futura geração teria chance de não repetir o caminho feito pelos pais. 

Entre 2008 e 2012, o índice de mortes de mil nascidos vivos caiu mais na região do Semiárido. Em 2011, a região Nordeste reduziu em 50% a taxa de mortalidade infantil, alcançando índice melhor do que a média nacional, que obteve redução de 40%. 

Piauí não está entre os cinco Estados que mais recebem o Bolsa Família

O Censo Escolar da Educação Básica de 2011 revela que no Ensino Médio os beneficiários do Bolsa Família possuem uma taxa de 79,9% de aprovação, enquanto a média nacional é de 75,2%. A taxa de abandono entre os estudantes do programa é de 7,1% e a nacional é de 10,8%. No Ensino Fundamental, a taxa de aprovação entre os beneficiários segue curva crescente: 80,5% em 2008 e, 83,9% em 2011. A taxa de abandono, em 2011, foi de 2,9% entre os beneficiários, enquanto a média nacional era de 3,2%. A permanência dos filhos entre 6 e 17 anos na escola é cláusula condicionante para que as famílias recebam o Bolsa Família. Além disso, é necessário que os estudantes de 6 a 15 anos tenham uma frequência mensal mínima de 85% da carga horária. Alunos com 16 e 17 anos devem comparecer em 75% das aulas, no mínimo.

Além disso espalham-se pelas pequenas cidades do Nordeste e, claro, no Piauí, núcleos da Universidade Aberta, escolas técnicas, ensino à distância e Ensino de Jovens e Adultos-EJA, entre outras modalidades. Apesar de termos avançado nos últimos anos, estamos ainda atrasados em relação a outros Estados. Isso é fato histórico. Veja o que diz o professor pernambucano Marcos Costa Lima. Para ele, o Bolsa Família é importante, mas não suficiente. Quanto ao Nordeste ele explica: 

“Maranhão e Piauí padecem por serem comandados por oligarquias há muito tempo. A Bahia escapou disso porque recebeu o polo petroquímico de Camaçari. No Maranhão, você anda por São Luís e até sente um ar modernizador. Mas o interior é um horror. O Piauí é o Estado mais marginalizado de uma região marginalizada. Nunca entrou na rota de investimento nenhum e, ao contrário dos outros Estados, apresenta uma precariedade generalizada, sem ilhas de progresso. Sergipe é um Estado menor, com população pequena. Tem petróleo, e nos últimos anos pôde desfrutar de uma sequência de governos estaduais atentos às questões sociais. O Rio Grande do Norte se beneficiou de investimentos pesados em turismo, embora eu não acredite que o turismo seja a salvação do Nordeste”, disse ele.

Tem irregularidades e corrupção no Bolsa Família??? Claro que tem. Mas, é preciso lembrar que a gestão do programa é feita pelos municípios. Então, o Governo Federal deve priorizar fiscalização em cima dos gestores ladrões que colocam vereadores e apadrinhados para receber o benefício, punindo-os com todo rigor. Quem sabe, tem provas do problema e não denuncia também comete o crime. 

Há quem diga que os beneficiados são preguiçosos e vivem de esmolas é lamentável. No mínimo quem assim fala talvez não conheça comunidades pobres do interior. Não sabe o que é passar fome. Nunca viu uma família inteira chorar olhando para plantação perdida e não ter outra fonte de renda. Sequer deve ter ouvido falar das famigeradas frentes de serviço da década de 70. Digam o que quiserem do Nordeste e dos nordestinos, mas definitivamente preguiça não nos representa. Esmolas não nos representam. No mais, é só conversa fiada de quem só conhece o endereço do seu próprio umbigo.

Agora, mais uma eleição presidencial está chegando e, certamente o Bolsa Família novamente será usado por todos os lados cada um defendendo seu ponto de vista. Mas, no fim, o BF do PSDB, PT e REDE seriam a mesma coisa. Não há diferença.

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