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Greve dos caminhoneiros mostra Brasil a beira de um colapso

A paralisação deve ser analisada como uma antecipação de um colapso ainda maior se as mudanças estruturais que o Brasil necessita não forem feitas

Por EDITORIA DE POLÍTICA
29/05/2018, às 13:05 - Atualizado em 30/05/2018, às 13:05

Nos tempos de escola, quando existia ginásio, os professores de história e geografia sempre ensinavam que um país com dimensões continentais como o Brasil, investir em estradas e não em ferrovias era uma erro que custaria caro ao país. Hoje, podemos comprovar na prática essa lição ensinada em sala de aula.

Quase dez dias de paralisação dos caminhoneiros e o Brasil vive um verdadeiro caos. Filas intermináveis em postos de combustíveis por todo o Brasil. Motoristas dormindo nas ruas esperando para abastecer o carro. Escolas suspendendo aulas, hospitais em estado de alerta, centrais de abastecimento sem estoque e supermercados com prateleiras vazias. A nossa dependência extrema das rodovias deixou o país refém deste modelo equivocado de transporte.

Mas isso nem é a principal questão e a reivindicação dos caminhoneiros é justa. A paralisação deve ser analisada como uma antecipação de um colapso ainda maior se as mudanças estruturais que o Brasil necessita não forem feitas.

A “Operação Lava Jato” de longe, não é a principal pauta desta eleição. Reduzir a discussão do futuro do Brasil a um candidato que tenha ficha limpa é de uma miopia política sem tamanho. Honestidade sempre será um requisito indispensável a qualquer pessoa que queira ocupar um cargo público. O próximo presidente da República, além de ter uma história de vida limpa, tem a missão de promover as reformas estruturais necessárias para tirar o Brasil da rota de uma crise maior e sem precedentes que, fatalmente, vai acontecer em breve se nada for feito.

Greve dos caminhoneiros / Foto: VEJA

O nosso modelo de previdência é antigo, ineficiente, injusto e deficitário. A carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo. A nova legislação trabalhista ainda é motivo de contestação. A máquina pública é grande, lenta e não produz os resultados esperados. A população tem um nível educacional baixíssimo, a saúde pública é um sonho distante para a maioria da população e a violência chegou a níveis alarmantes.

Bom, o primeiro passo é a realização das eleições de outubro próximo. Isso parece apenas uma questão de tempo mas os últimos fatos mostram que não é bem assim. A instabilidade política pode produzir situações que interfiram diretamente no processo eleitoral.

Mas o(a) próximo(a) presidente, precisa, simbolicamente, assumir o cargo logo após ser eleito. Preparar o seu governo, conversar o Congresso Nacional eleito, com a classe empresarial e com a sociedade civil sobre essa agenda de reformas que deve começar a ser implementada logo após a posse. Historicamente, os seis primeiros meses de gestão são chamados de “lua de mel” do presidente com deputados e senadores e é nesse período que tudo deve acontecer ou, pelo menos, criar as condições concretas para a implementação das reformas.

É isso ou entraremos em uma crise da qual dificilmente sairemos sem traumas profundos na vida de todos os brasileiros. A história está cheia de exemplos do que acontece com países onde a democracia não consegue encontrar as soluções para os seus problemas.

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