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Quais as lições que devemos aprender com esta eleição?

Os eleitos precisam entender que não ganharam uma disputa, na verdade, receberam a missão de tornar o Brasil um país mais melhor, em todos os aspectos

Por EDITORIA DE POLÍTICA
29/10/2018, às 15:10 - Atualizado em 29/10/2018, às 23:10

Não se pode negar. Foi uma eleição diferente de todas as outras. Desde a redemocratização, o Brasil elegeu Fernando Collor em 1989, viu seu impeachment em 1992, passou pelo governo Itamar Franco, conheceu a estabilização econômica com o Plano Real que levou seu criador, Fernando Henrique Cardoso, a presidência da República em 1994. Veio a reeleição e mais quatro anos de FHC. Os tucanos saem de cena e pela primeira vez, o PT chega ao poder com Lula em 2002 e de novo em 2006. Em 2010, Dilma Rousseff é eleita e dá continuidade a era petista. Ganharia mais uma eleição em 2014 e sairia do poder em 2016 com outro processo de impedimento.

O vice-presidente, Michel Temer, assume o comando do país com a promessa de ser o governo das reformas. Após ser gravado pelo empresário Joesley Batista, nos porões do Palácio do Jaburu, em conversas nada republicanas, Temer passou a enfrentar denúncias, processos, investigações. Teve que passar todo o seu mandato na defensiva e entrar em um processo de isolamento político acumulando índices históricos de reprovação e rejeição.

A Operação Lava Jato completa quatro anos com uma lista interminável de empresários, políticos e lobistas presos e denunciados. Por fim, a prisão do ex-presidente Lula é mais um ingrediente dessa mistura explosiva de revolta, decepção e anseio por mudança.

Tudo isso foi potencializado pelas redes sociais. Pela primeira vez, uma eleição colocou candidatos e eleitores em contato direto, permitindo que a grande maioria dos brasileiros manifestasse opiniões, desejos, críticas e expectativas. Com a chegada da campanha, veio o acirramento de ânimos, os ataques, as agressões. O que deveria ser uma oportunidade de discutir um novo país, transformou a eleição em guerra e adversários em inimigos. Todos participaram do jogo. Candidatos e eleitores deixaram de lado as propostas e partiram para as acusações. Virou a eleição das notícias falsas. Não importava construir, a estratégia era desconstruir, eliminar, tanto no mundo virtual quanto na vida real. Pessoas xingadas, agredidas e a morte de um professor de capoeira são alguns exemplos que ficam dessa campanha. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, vítima de uma facada, conheceu a marca da intolerância.

Neste domingo, terminada a apuração, a expectativa era de que os dois lados dessa disputa colocassem um ponto final nessa batalha insana que se transformou o pleito de 2018. Não foi isso que vimos. Cada candidato falou para sua militância, reforçando a ideia da divisão, dos vitoriosos e derrotados, dos fortes e dos fracos.

O Brasil precisa agora de serenidade, do compromisso da classe política com as questões verdadeiramente importantes. Os eleitos precisam entender que não ganharam uma disputa, na verdade, receberam a missão de tornar o Brasil um país mais melhor, em todos os aspectos. A oposição também tem o seu papel. Fiscalizar, cobrar, dizer não mas também, dizer sim.

Não importa mais a ideologia. À direita, ao centro, à esquerda. Agora, só o Brasil interessa.

Presidente eleito após a confirmação da vitória / Foto: UOL

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