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Homem acusado de 12 estupros em Teresina atua em vários estados

Segundo a polícia, o acusado entrava em contato através de um aplicativo de mensagens e ameaçava até de morte caso não encaminhassem fotos e vídeos íntimos

A equipe do 21° Distrito Policial investiga pelo menos 12 casos de estupro na região da Usina Santana, Zona Sudeste de Teresina. Desse total, 10 vítimas são crianças e adolescentes com idades entre 12 e 15 anos, e duas mulheres adultas.

As investigações tiveram início em outubro do ano passado com a denúncia das vítimas. O homem, segundo a polícia, entrava em contato com as meninas através de um aplicativo de mensagens e as ameaçava até de morte caso não encaminhassem fotos e vídeos íntimos.

O suspeito já foi identificado e pode ser preso a qualquer momento. O delegado Odilo Sena conta detalhes de como o homem vem praticando crime.

O criminoso ganhava a confiança e depois que tinha conhecimento da vida delas, exigia fotos, vídeos, masturbação.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - O que aconteceu com essas vítimas do estupro?

DELEGADO ODILO SENA - Foram 12 vítimas, dois adultos e dez adolescentes e crianças. Elas foram vítimas de um criminoso que ganhava a confiança e depois que tinha conhecimento da vida delas, exigia fotos, vídeos, masturbação. O crime se baseia nisso, divulgação de fotografias, vídeos de adolescentes e adultos, bem como o estupro e a publicação desse material.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - A partir do roubo dos celulares ele usava os perfis dessas pessoas que tiveram os aparelhos roubados?

DELEGADO ODILO SENA - A gente não tem ainda essa informação se ele realizou o crime de roubo ou furto, o que a gente pode confirmar é que esse indivíduo usava celulares roubados ou furtados, no entanto, ele de posse desses celulares, ele usava os contatos dos celulares que possuía e juntamente com informações que as próprias vítimas deixam em seus status das redes sociais ele iniciava um contato, ganhava confiança, mostrava para as vítimas que tinha conhecimento de seu cotidiano e de informações de onde moram, pai, mãe, o cotidiano comum do dia a dia e mostrava para as vítimas que tinha conhecimento e ele começava exigir sob pena de que as vítimas não realizando o desejo dele, ele iria matar elas, os pais e sequestrar. Como se trata de adolescentes, muitas vezes não tinham como se defender e ele se aproveita disso fazendo isso foi crianças enviando vídeos e fotos de outras crianças.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Ele nunca chegou a ter contato físico com as vítimas?

DELEGADO ODILO SENA - No nosso caso não. O que ele fazia? Ele colocava na cabeça das vítimas que ele tinha um contato próximo e que por isso elas podiam sofrer as consequências, e por conta disso, no sentido de se satisfazer, ele acabava conseguindo convencer essas meninas a enviarem vídeos e fotos, e também ele enviava para elas fotos e vídeos íntimos, inclusive de masturbação e mostrava que ele tinha arma de fogo ou então mostrava que ele era de determinada facção criminosa. Ele constrangia as vítimas a satisfação dele ou o apossamento dessas mídias pra vender ou repassar, ou uso próprio.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Na prática era troca de fotos e vídeos?

DELEGADO ODILO SENA - Isso, mas ele dava a entender que estava próximo. Mas não deixa de ser estupro. Tanto que é estupro como também cai na pena do artigo 241, do Estatuto da Criança e do Adolescente, que é a publicação de mídia em face de adolescentes e crianças, ele responder por cada vítima dois crimes.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Com esses celulares roubados, e a polícia vai investigar se ele era o autor dos roubos ou ele recebia, ou comprava esses celulares, ele usava as informações dos celulares, ou seja, as vítimas eram pertencentes ao círculo social dos proprietários desses celulares?

DELEGADO ODILO SENA - Justamente. Nós não conseguimos ainda fazer esse link. No nosso caso, temos um celular roubado ou furtado e esse sujeito com os contatos dessas vítimas conseguiu praticar esses crimes com os contatos dessa vítima.

Ele atuou em outras estados como Maranhão, Ceará, Mato Grosso, Pára e Rio de Janeiro, além do Piauí. Ele não é piauiense. Agia sempre da mesma forma.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - O acusado já foi identificado, delegado?

DELEGADO ODILO SENA - Sim, já foi identificado, com muita luta e muito trabalho, muita dedicação da equipe. A delegacia praticamente parou para desvendar esse crime. E conseguimos identificar ele, qualificar. Agora vamos sair em campo para encontrá-lo.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Delegado, ele assediava as jovens, ameaçava de morte, mostrava foto de armas, mostrava conhecimento da vida dos pais e parentes. A partir de que ponto essas vítimas perderam o medo e foram denunciar?

DELEGADO ODILO SENA - Alguma dessas vítimas tinha uma relação muito próxima dos seus pais e a partir desse momento automaticamente essas crianças procuraram seus pais e contaram tudo. Cada um foi contando o que estava se passado com elas. O grande lance desse crime é justamente um alerta para os pais, para que cuidem de seus filhos. Não tem essa de privacidade. Filho menor de idade não tem esse negócio de ter privacidade com pai e mãe não, então se você deixar seu filho para outro cuidar pode gerar a perda do mesmo. Então, cada pai e mãe é responsável pelo o que acontece com seu filho e a dor de perde e vê-lo num situação dessa é muito maior do que perder a privacidade com pais e filhos.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Delegado, ele chegou a divulgar fotos e vídeos na Internet dessas vítimas?

DELEGADO ODILO SENA - Chegou sim.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - O que ele alegou para as vítimas em relação aos vazamentos?

DELEGADO ODILO SENA - Ele pouco se importava com isso.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - A população pode ajudar com denúncias?

DELEGADO ODILO SENA - A população tem que ajudar da forma que o pessoal do Jardim Europa fez, o quanto antes. Atrás da tela ninguém sabe que é ninguém. A internet é terra de ninguém. A melhor maneira de combater é a informação. Não se pode confiar em ninguém.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Os donos dos celulares já compareçam à delegacia? A equipe identificou algum proprietário?

DELEGADO ODILO SENA - Alguns conseguimos identificar.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Esses proprietários, a polícia descobrir o que efetivamente aconteceu, estavam se envolvendo em crimes sem saber o que estava acontecendo?

DELEGADO ODILO SENA - Isso, e um dos donos desses celulares quase foi preso por causa disso. Mas descobrimos a tempo que não se tratava dessa pessoa, e sim que outra pessoa era quem utilizava o número. Por isso é importante fazer o Boletim de Ocorrência, porque o BO pode lhe livrar de uma prisão.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Ele atuou em outras áreas?

DELEGADO ODILO SENA - Ele atuou em outras estados como Maranhão, Ceará, Mato Grosso, Pára e Rio de Janeiro, além do Piauí. Ele não é piauiense. Agia sempre da mesma forma. Mandava fotos íntimas de adolescentes de outras cidades.

Fotos cedidas pelo Portal GP1.

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