PORTAL DOUGLASCORDEIRO.COM

Diretor anuncia queda de 30% nos óbitos na M. Evangelina Rosa

Segundo as estatísticas, de janeiro a outubro de 2017 foram registrados 298 óbitos neonatais. Já no mesmo período deste ano foram 197, ou seja, uma redução de 101 óbitos

Por Redação
27/11/2018, às 09:11

A Maternidade dona Evangelina Rosa, referência para atendimento de alta complexidade do Estado do Piauí, não teve alta de mortalidade neonatal, ao contrário. Segundo consta nas estatísticas da Instituição, proporcionalmente, de janeiro a outubro de 2017 foram registrados 298 óbitos neonatais. Já no mesmo período deste ano foram 197, ou seja, uma redução de 101 óbitos, o que configura queda de mais de 66%. Em números absolutos a redução é de 34%. 

O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (26/11) pelo diretor da Instituição, médico Francisco Macêdo, em conversa com jornalistas. A comparação foi feita com base nos 10 meses de cada ano. Uma equipe da Unidade Hospitalar está realizando relatório e anexando esses documentos para entregar ao Ministério Público. 

“Isso demonstra a eficiência do trabalho que viemos fazendo”, disse Macêdo.

A tendência, portanto, é que, ao final deste ano ocorra uma queda significativa nos óbitos neonatais, resultado de investimentos do Governo do Estado e Secretaria de Estado da Saúde e emprenho da atual gestão da Casa visando reduzir esses índices e oferecer serviço de excelência, no qual se propõe. 

Outro ponto que interfere diretamente à queda é o aumento das cirurgias neonatais, inclusive neurológicas que são realizadas na própria Evangelina Rosa.  No ano de 2017 foram realizadas 288 cirurgias neonatais e 5.444 tratamentos clínicos. Já em 2018, até outubro, foram realizados 235 procedimentos cirúrgicos  e 3551 tratamentos clínicos.

A Evangelina Rosa é a maior maternidade pública do Estado e a segunda maior do nordeste. Atualmente atende pacientes no perfil de alto risco através da Central De Regulação Estadual. Após a interdição do Conselho Regional de Medicina (CRM-PI), decretado no último dia 19 de novembro, sem aviso prévio, gestores e equipe da maternidade e secretaria de Saúde têm se reunido com o intuito de se organizar e preservar a vida de gestantes sem que tenham sido informadas da determinação e que venham a ser prejudicadas.

Entende-se que a ação deveria ter sido planejada para que a população tivesse acesso à informação previamente, fato pontuado pelo promotor de Justiça, Enir Filho, durante audiência pública na última quarta-feira (21/11), quando questionou ao CRM se havia um plano emergencial elaborado para a interdição. Segundo o diretor da Maternidade, médico Francisco Macêdo, a equipe da maternidade está procurando se adequar com tranqüilidade. 

“Está tudo se encaminhando para que a Maternidade passe a ser um Hospital de tratamento de alto risco, como o HUT - Hospital de Urgências de Teresina – e o HGV – Hospital Getúlio Vargas”, disse Macêdo ressaltando que isso deve acontecer gradativamente e não abruptamente.

O diretor ressaltou que a atitude vai beneficiar a instituição.

“No entanto, essa atitude, no geral, vai beneficiar a Maternidade porque isso demonstra o que nós viemos dizendo há muito tempo. Que o funcionamento adequado da Rede de Saúde, onde todos fazem a sua parte, beneficia a todos e principalmente pacientes, os mais prejudicados nessa história”, pontuou.

Macêdo explicou que tem sido verificado, ao longo dos anos, que na sazonalidade da superlotação da Evangelina, pelo não funcionamento adequado da rede, leva-se a três pontos importantes: A equipe da Maternidade trabalha do seu limite máximo, o abastecimento da Casa, com a superlotação, leva pontualmente a falta de alguns insumos e , por último, a longevidade da Maternidade que, mesmo tendo equipes trabalhando diuturnamente na recuperação, em alguns momentos torna-se insuficiente devido à dimensão da Maternidade.

PLANO DE AÇÃO

Em reunião com o secretário de Saúde, Florentino Neto e o superintendente de Assistência Hospitalar, médico Aderico Tavares, ontem (26/11) ficou garantido um repasse de R$ 2 milhões para Evangelina Rosa de imediato para adequar pagamentos. 

“Além disso, estamos fazendo planejamento para os próximos quatro anos, inclusive em certames de licitações e contratos. Ficou acordado, ainda, que a Evangelina vá receber pacientes de médio risco de algumas localidades até haver uma regulação final", disse.

Segundo Alderico Tavares, a Evangelina ainda receberá risco baixo, no Centro de Parto Normal – acordado com a Fundação Municipal de Saúde

“Nas reuniões com o Ministério Público  e CRM, o plano emergencial da porta regulada da Evangelina Rosa, ou seja, o complexo regulador juntamente com a regulação municipal vai atender à região do entorno da Unidade Hospitalar: Ilhotas, João Emílio Falcão, Três Andares ,etc., que as equipes já estão avisadas que essas pacientes virão para Evangelina. Toda paciente deve ser regulada, ou seja da rede municipal ou ou seja do interior do Estado via Complexo Regulador do Estado”, disse o superintendente  informando que as pacientes não irão deixar de ser atendidas, mas classificadas pela enfermagem, avaliadas pelos médicos (as) obstetras da entrada. 

Se a paciente tem risco baixo, e que não seja do entorno da Maternidade, será regulada para Rede Municipal. Se for risco médio que possa evoluir para alto risco, automaticamente será internada na Evangelina. Já os casos de alto risco, como devem ser, ficam da Maternidade Dona Evangelina Rosa.

Atualmente, a Evangelina possui 224 leitos, 30 leitos de UTI neonatal, 20 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (Ucinco), oito de UTI materna. Ocorre que, mesmo com o perfil da alta complexidade, a MDER estava com cerca de 60 % de seus leitos ocupados com pacientes de baixo e médio risco, atendimentos que poderiam ser realizados pela Rede Municipal da capital Teresina ou outros serviços nos próprios municípios.

Ao longo dos últimos quatro anos o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Saúde, tem buscado investir na saúde materno infantil levando serviços para outros hospitais fora da capital, implantando leitos de UTI neonatal em Floriano e Parnaíba, o que tem contribuído para o desafogalmento da Mder . A Maternidade tem buscado atualizar seu parque tecnológico através da aquisição de novos equipamentos ( no ano de 2018 já foram entregues mais de R$ 2 milhões em equipamentos ) com equipamentos mais modernos do mercado .

O ALTO ÍNDICE DE MATERNIDADE

A Evangelina Rosa, referência em alta complexidade, ou seja, que atende grávidas em gestação de alto risco e seus bebês. Aqui ingressam pacientes em estado grave. Normalmente toda a rede nacional de hospital de tratamento de alto risco, o índice de óbitos tende a ser maior do que os que atendem médio e baixo risco. Endentemos que seja de certa forma, injusta, se fazer comparação de taxa de mortalidade de hospital de alto risco com os demais de baixo risco. É importante ressaltar que, por ser uma Unidade de alto risco, a Evangelina recebe casos graves e gravíssimos.  A maioria dos óbitos são inevitáveis, como é o caso de bebês considerados inviáveis (má formação, anencéfalos, prematuridade extrema – abaixo de 500g ao nascer", ressaltou.

No Ministério da Saúde existe uma tabela de mortalidade de todas as Maternidades do país, a Evangelina encontra-se dentro do padrão de Instituições Hospitalares de alto risco. Lá, é possível verificar que o Piauí está empatado em 10% ,assim como São Paulo, Bahia, Ceará, dentre outros. 

A Maternidade dona Evangelina Rosa (Mder) informa que possui um Comitê de Óbitos que se reúne para analisar todos os casos de mortes ocorridas na Instituição, bem como uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) atuante, responsável pelo levantamento e investigação das infecções hospitalares. O setor tem como objetivo adotar medidas de controle e prevenção dessas infecções, além de divulgar a situação da infecção hospitalar.

Maternidade Dona Evangelina Rosa / Foto: OitoMeia

nossas redes sociais

vídeos mais vistos