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Cabo acusado de ligação com o tráfico era pastor em José de Freitas

De acordo com o delegado Odilo Sena, os militares Edivaldo e Vieira são suspeitos de roubar armas, bens e drogas de traficantes durante o exercício do trabalho de policiais

Por Luís Silva
01/12/2019, às 10:00 - Atualizado em 01/12/2019, às 10:33

Um dos dois cabos da Polícia Militar do Piauí, suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas e roubos, no Piauí, que foram capturados na manhã da última sexta-feira (29/11), durante a Operação "Guerra ao Tráfico", comandada pelo delegado Odilo Sena, estava morando há três anos no Povoado Graciosa, município de José de Freitas-PI, onde era pastor evangélico da Igreja Assembléia de Deus. Trata-se do cabo Edivaldo Gomes da Silva, que é conhecido como Pastor Edivaldo. O outro cabo suspeito identificado como Francisco Vieira foi preso em Teresina.

O mandado de prisão contra o cabo Edivaldo foi cumprido em sua residência que fica a 25 km da cidade de José de Freitas, por uma equipe de policiais da Força Tática do 8º BPM-PI, sob o comando do major Wilton e pelo delegado Odilo Sena, titular do 21º DP no Bairro Usina Santana, na Zona Sudeste de Teresina, responsável pela investigação dos crimes. Uma guarnição do RONE também deu apoio na operação realizada em José de Freitas.

De acordo com o delegado Odilo Sena, os cabos Edivaldo e Vieira são suspeitos de roubar armas, bens e drogas de traficantes durante o exercício do trabalho de policiais. O delegado Odilo Sena disse ainda, que os dois militares teriam prejudicado ações policiais vazando informações privilegiadas a bandidos e que a investigação sobre o caso foi longa, teve início no começo de 2019, e o alerta aconteceu após relatos de usuários de drogas que diziam ser coagidos por policiais a entregar celulares roubados de cidadãos da Região Sudeste de Teresina.

“Pessoas viciadas estavam contando sobre policiais militares e civis envolvidos no recebimento de propina e praticando extorsão. Eles agiam sempre com o mesmo padrão. As vítimas, cidadãos comuns, eram roubados, e eles [policiais] iam às vezes até a boca de fumo, e o que era roubado das pessoas, como celulares, os policiais ficavam e não prestavam contas. Eles também costumeiramente ficavam com entorpecentes”, relatou Odilo Sena.

O delegado explicou que os criminosos não atuavam exatamente como “parceiros”, mas eram coagidos a fazer a entrega do material ou às vezes o pagamento de valores, que iam de R$ 50 a R$ 500, para que não fossem presos ou para que pudessem ter as armas e as drogas apreendidas, de volta.

“E os criminosos ou pagavam ou eram presos e armas às vezes voltavam para o tráfico”, explicou o delegado.

Segundo o major Wilton, um exemplo claro de vazamento de informações foi o relato de um preso a respeito de um quadro de anotações adquirido por ele, para organizar as ações do Batalhão.

“O delegado me disse que ouviu falar que eu tinha comprado um quadro para anotações diárias das ações. O delegado me perguntou se eu tinha, porque soube disso em um local de tráfico. Isso serve para ver como as informações saíam do meu gabinete”, disse o major.

O delegado Odilo informou que há ainda três policiais civis sob investigação, por suspeita de participação no esquema. Segundo ele, os dois policiais devem ser indiciados por peculato, tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo majorado e extorsão.

O caso já foi enviado à Corregedoria da Polícia Militar, para apuração na esfera administrativa. Os dois policiais eram lotados no 8º Batalhão da Polícia Militar, que fica no conjunto Dirceu Arcoverde I, na Zona Sudeste de Teresina. Essa é a 7°fase da operação, que tem como objetivo combater o tráfico de entorpecentes na capital piauiense.

Major Wilton e o Delegado Odilo Sena / Foto: Nayara Nadja

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