Advogada vai ao exército pedir exames do acusado de matar piauiense

O advogado Maurício Bezerra Alves Filho, disse que o cliente dele passa por tratamento psiquiátrico em Pernambuco

Por Ravi Marques
15/06/2019, às 10:00

A advogada da família da estudante Iarla Lima Barbosa, assassinada no dia 19 de junho de 2017 pelo namorado José Ricardo da Silva Neto, afirmou nesta sexta-feira (14/06) que vai ao 2º Batalhão de Engenharia e Construção (2º BEC) solicitar exames psicológicos feitos no ex-tenente, quando ele servia a corporação.

"Vou ao 2º BEC conversar com o comandante e solicitar os exames do José Ricardo desde a época que ele entrou no exército. A cada três ou seis meses o exército realiza exames psicológicos nos homens e mulheres que servem a corporação, justamente para atestar a sanidade mental deles. Caso o exame seja positivo para algum distúrbio, a pessoa não serve o exército", disse Karla Oliveira, advogada da família da vítima.

Foi questionado também pela advogada o fato do ex-tenente cursar direito em Recife, cidade natal dele.

"A defesa dele alega insanidade mental nele. Como uma pessoa com insanidade faz curso superior de direito? Faz tudo que uma pessoa normal faz e agora a defesa alega distúrbio mental? Essa é uma forma de adiar e adiar de novo o julgamento", falou a advogada.

O advogado de defesa do ex-tenente José Ricardo da Silva Neto, Maurício Bezerra Alves Filho, disse que o cliente dele passa por tratamento psiquiátrico em Pernambuco. A petição foi protocolada no dia de 3 de junho.

O Ministério Público se mostrou contrário ao pedido.

"Todo pedido de insanidade mental tem o mesmo teor e fundamento: falta de condições mentais de entender o caráter ilícito do fato criminoso. Já me manifestei de forma contrária", afirmou o promotor de justiça Ubiraci Rocha.

O crime aconteceu a zona leste de Teresina. Iarla e José Ricardo estavam em bar da avenida Nossa Senhora de Fátima quando o rapaz, com ciúmes da estudante, chamou a namorada pra ir embora. No carro os dois brigaram e o ex-tenente atirou contra Iarla, que morreu em seguida. No veículo estavam ainda uma irmã e uma amiga da vítima que também foram atingidas pelas balas.

Após cometer o feminicídio, José Ricardo foi para o condomínio que morava, no Bairro Santa Isabel, também zona leste, deixou o corpo de Iarla no carro e subiu para o apartamento. A polícia logo depois chegou e efetuou a prisão dele. Na época José Ricardo foi expulso do exército.

Em maior deste ano o ex-tenente foi solto após o Supremo Tribunal de Justiça conceder habeas corpus para ele. A defesa alegou que a justiça piauiense não tinha provas suficientes para manter o rapaz preso, pois já cumpria medidas cautelares.

"A família está abalada com essa alegação de insanidade mental. Quem realmente está abalada psicologicamente é a família da vítima. A mãe perdeu a filha e teve a outra filha atingida também. Quase que ela perde a outra filha", finalizou a advogada Karla Oliveira.

Iarla Lima / Foto: GP1

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