Piauí é recordista em mortes no trânsito. Em Teresina, reduziu

O Diretor de Trânsito da STRANS defendeu que os municípios façam a municipalização do trânsito para reduzir esses índices, como aconteceu em Teresina, de acordo com o DENATRAN

Por Wesslley Sales
19/08/2019, às 08:00 - Atualizado em 19/08/2019, às 03:27

Comércios que margeiam ruas e avenidas de várias zonas em Teresina, como Presidente Kennedy, Joaquim Ribeiro, Gil Martins, Centenário, Barroso e Rui Barbosa, estão fechando as portas. O motivo seriam as últimas intervenções de trânsito.

José Machado fechou o comércio na região Leste. Para ele, o problema é que a clientela sumiu com a proibição de estacionamento próximo e o fechamento de retornos. Para o diretor de Trânsito e Sistema Viário da STRANS, José Falcão, as mudanças são necessárias.

“Temos um grande problema, epidemia de carros e motos. No início anos 2000 eram 123 mil veículos, hoje são 495 mil. Tínhamos 30 mil motos e hoje passamos das 200 mil. Nesses números não são contabilizados veículos sem placa nem os que são registrados em outras cidades, como Timon e região metropolitana. Algum comercio na Frei Serafim quebrou quando fechamos retornos e proibimos estacionamento? Certamente sim, mas as pessoas passaram a mudar seu estilo para transformar sua rotina em outra. A Frei Serafim é a mais movimentada da cidade e hoje não temos a menor condição de pensar em retornos”, explica.

Outro ponto reclamado tem sido a avenida principal do Bairro Dirceu Arcoverde, onde estacionamentos também foram proibidos e retornos fechados. Comerciantes também ameaçam fechar as portas com a falta de clientes. Ainda trazendo dados estatísticos, José Falcão justifica as mudanças.

“De acordo com o IBGE nos últimos cinco anos tivemos um crescimento da população de Teresina em torno de 25 mil habitantes e, de acordo com o DENTRAN foram mais 125 mil veículos na cidade, ou seja, quatro veículos para cada novo habitante. É algo insustentável. Na avenida do Dirceu Arcoverde, que foi uma mudança bem radical. Eram mais de 20 retornos abertos, onde se levava até 20 minutos para sair de perto da Fundação Bradesco até o final. Hoje, o percurso é feito em menos de cinco minutos. Sabemos que precisa melhorar, mas isso não acontece em um estalar de dedos”, completou.

José Falcão acrescentou que o Piauí é o Estado com maior número de mortes no Brasil, defendendo que os municípios façam a municipalização do trânsito para reduzir esses índices, como aconteceu em Teresina, de acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito-DENATRAN.

“Em Teresina temos uma taxa de 14,6 mortes para cada 100 mil habitantes, é alto a nível de Brasil. Em todo o Estado esse número passa de 33 e por isso o Piauí é onde mais se morre no trânsito em todo o país. Dos 224 municípios apenas 12, salvo engano, tem trânsito municipalizado. Fica tudo para o Estado dar conta, não tem condição. Municípios tem obrigação de municipalizar. Nos últimos cinco anos, aqui em Teresina, salvamos 135 vidas no trânsito. Pode parecer pouco, mas quase um ano de mortes”, concluiu.

Diretor de Trânsito e Sistema Viário da STRANS, José Falcão / Foto: GP1

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