"Morar na mesma casa é difícil", diz pai de Giovanna Gabriely

Gudson disse ainda que vai continuar com os princípios que sempre defendeu, com educação cristã, mesmo com a rejeição da filha

Por Ravi Marques
08/11/2019, às 09:00 - Atualizado em 08/11/2019, às 03:41

Após prestar depoimento na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente nesta quinta-feira (07/11), o pastor evangélico e professor Gudson Costa desabafou para a imprensa e disse que será impossível viver na mesma casa que a filha, uma adolescente de 17 anos que sumiu no domingo (03/11) e foi encontrada nesta quarta-feira (06/11) na cidade de União, região metropolitana de Teresina.

"Não vai ser mais possível viver na mesma casa que minha filha e isso foi até recomendado pela delegada e pelo advogado. Minha esposa não quer isso, mas essa decisão é minha, em particular. Ela continua sendo minha filha, nada muda, e se ela ainda quiser meu amor de pai, vai ter meu amor", disse o pai da adolescente.

Gudson disse ainda que vai continuar com os princípios que sempre defendeu, com educação cristã, mesmo com a rejeição da filha.

"Eu tenho meus princípios, minha conduta cristã e ninguém muda isso. Se uma jovem quer casar, quer ter relacionamento sexual, espera o casamento. Isso é um princípio nosso, cristão. As declarações dela sobre mim, em relação aos abusos sexuais, ela mesma disse que é mentira, é só uma forma de me atingir porque lá não aceita meu jeito de educar, um jeito mais rígido. Ela está chateada comigo porque eu não aceitava o namoro dela com um rapaz aí. Minha vida é um livro aberto, sou professor também, tenho trabalhos com crianças e adolescentes e nunca me envolvi em escândalo. Sou casa e amo minha esposa, e jamais vou deixar minha família de lado. E se minha filha quiser, estou aqui de braços abertos pra ela, mas ainda tenho medo de novas acusações, porque já foram várias dessa natureza", disse o pai da adolescente.

O pai da jovem disse ainda que diante da conduta contrários aos princípios do pai, a menina iria morar com uma tia ao completar 18 anos.

"Minha filha, ao completar 18 anos, iria morar com uma tia dela, aceita ela do jeito que ela quer ser, contrário aos meus princípios cristãos. Eu já sabia que ela não iria ficar sob minha tutela, até pela forma que eu  vejo a vida. Só quero dizer que amo minha filha e se ela não quiser viver comigo e a mãe, ela saiba que eu a amo, continuo sendo o pai", falou Gudson.

A adolescente havia sumido após sair de uma faculdade particular da Zona Sul de Teresina, quando terminou a prova do Enem, no domingo (03/11). A jovem foi localizada nesta quarta-feira (06/11) na cidade de União, norte do Piauí, após denúncia.

Durante o período que ficou desaparecida a jovem teria ficado na casa de um homem, identificado como Ismar Filho, no Bairro Dirceu Arcoverde II, Zona Sudeste de Teresina. A irmã de Ismar ao ver a foto da garota na TV, percebeu que a menina que estava na casa era a jovem que estava sendo procurada.

"Eu estava no sofá com a menina e meu estava deitado. Na hora que passou na TV a foto dela eu olhei pra ela e perguntei: 'é você ali na TV?', e ela disse: 'não. Sou eu não.' Mas eu percebi que era ela e chamei a polícia. Agora estou com medo, porque meu irmão é violento comigo e os vizinhos sabem. Agora ele está me ameaçando de morte", disse Keyla Maria, irmã de Ismar.

Ismar prestou depoimento na DPCA e negou ter participado do sumiço da garota. Um par de sandálias foi encontrado na casa do suspeito.

Nesta quinta-feira (07/11) o pastor Gudson marcou uma entrevista coletiva na casa dele, mas minutos antes desmarcou, alegando que a esposa passou mau e precisou ser levada para o hospital.

Professor Gudson Costa / Foto: Reprodução Facebook

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