Reviravolta no caso da jovem que desapareceu após o ENEM no PI

"Tudo isso não passa de uma mentira. Ela não aceita a educação mais rígidos que ofereço, por conta dos meus princípios evangélicos", disse o pai

Por Ravi Marques
07/11/2019, às 16:54

Na manhã desta quinta-feira (07/11) a movimentação foi grande na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A família de Giovanna, a própria adolescente de 17 e inclusive um homem identificado como Ismar Gonçalves Bastos Filho, 31 anos, suspeito de participar do sumiço da jovem, protestaram depoimento. Ismar foi detido porque estaria com Giovanna em casa, no Bairro Dirceu Arcoverde, Zona Sudeste de Teresina.

A irmã de Ismar, Keyla Maria, foi quem denunciou o irmão após ver a divulgação do desaparecimento de Giovanna e perceber que quem estava na casa do rapaz era a jovem que estava sendo procurada.

"Eu vi nas redes sociais a menina e vi na TV. Percebi que era a mesma moça que estava na casa do meu irmão e resolvi denunciar. Agora estou com medo dele ficar preso e ele está até me ameaçando de morte", disse a irmã.

No depoimento, Ismar deu detalhes de como se encontrou com Giovanna no domingo (03/11), dia da prova do Enem.

"A gente se conheceu pela internet. Ela pediu pra eu ir buscá-la às 16:30, na frente da faculdade que ela fez a prova do Enem. De lá fomos para minha casa. Tivemos até relação sexual com o consentimento dela. Depois vi nas redes sociais a procura pela Giovanna e eu falei pra ela voltar para a casa dos pais. Ela só pediu pra deixá-la em uma parada de ônibus na avenida Frei Serafim", disse Ismar em depoimento.

Segundo a investigação, depois que foi deixada na parada de ônibus na terça-feira (06/11), Giovanna foi para a cidade de União, onde foi encontrada durante a noite do mesmo dia. Ela foi levada para o comandando policial do município, onde teria acusado o pai de abuso sexual.

O pai de Giovanna, o pastor Gudson Costa, disse que está sendo acusado injustamente pela filha.

"Tudo isso não passa de uma mentira. Ela não aceita a educação mais rígidos que ofereço, por conta dos meus princípios evangélicos. O namoro tem que ser no tempo certo. A relação sexual após o casamento. E minha filha não aceita. A revolta dela é essa e por isso sumiu e agora me acusa dessa forma. Mas vou provar que tudo é mentira", disse o pai da garota.

O avô paterno de Giovanna informou que a menina já vinha dando sinais de insatisfação com o pai.

"Uma vez fomos na praia e Giovanna colocou um biquíni e o Gudson não gostou e pediu pra ela trocar de roupa. Minha neta não gostou e falou em um canto pra mim que não gostava do jeito que o pai dela a tratava e um dia ia sumir. Eu não acredito nessa versão dela de que o pai abusava sexualmente dela. Ela fala isso pra se vingar do pai de alguma forma", disse o avô que preferiu não falar o nome.

A mãe de Giovanna, Keyla Belém, disse que foi um alívio encontrar a filha.

"Foi um alívio tão grande quando achamos nossa filha. Nesses últimos dias achei força na fé. A fé me moveu, me deu força. Estávamos desesperados", disse a mãe.

CONSELHO TUTELAR

O III Conselho Tutelar, que atende casos da zona sul de Teresina, acompanha o caso de perto. O conselheiro Teleno Bartolomeu informou que o papel do órgão é proteger e orientar a família e a Giovanna.

"Damos a orientação, mas também cobramos das autoridades uma investigação. No caso da Giovanna, vamos conversar com o Conselho Tutelar de União para apurar mais informações sobre o desaparecimento, como ela foi achada, as amizades dela na cidade. Já estou dando entrada no caso. Vamos conversar com os pais e a jovem. Procura entender tudo isso pra poder ajudar", disse o conselheiro.

O conselheiro informou ainda que o III Conselho Tutelar atende casos de diversas naturezas envolvendo crianças e adolescentes da zona sul, e que a demanda de jovens desaparecendo apenas nessa área é grande, mas não foram contabilizados ainda.

"São vários os motivos de desaparecimento de crianças e adolescentes, entre eles são a depressão e violência sexual e doméstica. Muitas crianças e adolescentes não aguentam o que estão passando e acabam sumindo, na tentativa de se livrar de tudo isso. São muitos os casos que chegam até nós. E tudo é repassado para a DPCA", disse Telene Bartolomeu, conselheiro Tutelar.

Ismar Gonçalves Bastos Filho

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