A crise vivida pelo Bolsonarismo!

Teremos nos próximos dias diversos movimentos políticos e sociais em torno do Ministério Público, Polícia Federal e do Legislativo

Por Genésio Júnior
10/09/2019, às 12:00 - Atualizado em 11/09/2019, às 09:47

A segunda semana de setembro, como já era esperado, se inicia cheia expectativa.

Era natural que assim se desse, pois o Presidente da República, premido pelo calendário, tinha que decidir sobre os vetos à Lei de Abuso de Autoridade e teria que anunciar o seu indicado para Procuradoria Geral da República (PGR).

A princípio, depois do que se viu com o Ministério da Justiça e na Polícia Federal com as vontades presidenciais sendo postas, fica evidente que o Palácio do Planalto, com o chefe de Governo e Estado, impõe um duro golpe à cultura da Lava-Jato.

A Polícia Federal e o Ministério Público ganharam nos últimos anos um poder à parte no Brasil, quase institucional, pois com apoio de setores da Imprensa usavam o argumento que toda ingerência política sobre os dois seria uma manobra para impedir que os poderosos prestassem conta com a lei!

O Presidente Jair Bolsonaro está fazendo, do seu jeito, coisa que o PT e o MDB não conseguiram. Dois dos maiores e mais importantes partidos políticos do país não conseguiram impor algum tipo de restrição às duas forças do Executivo.

Bolsonaro, na prática, reconhece a força das revelações do site “The Intercept Brasil” apesar de usar como pode a prisão do maior líder petista, expoente nacional, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Teremos nos próximos dias diversos movimentos políticos e sociais em torno do Ministério Público, Polícia Federal e do Legislativo. Há muitas especulações nos meios políticos que o Presidente Bolsonaro impôs vetos à Lei de Abuso de Autoridade de caráter institucional e que não irá quebrar lanças para mantê-los, pois já estabeleceu uma comunicação com os principais agentes políticos nos partidos de centro que patrocinaram a aprovação da nova Lei. 

O Presidente, avalia-se, em face a nova cirurgia, estará afastado oficialmente do posto até quinta-feira, 12. Se a recuperação for de 10 dias, ele só poderá fazer suas performances à porta do Palácio Alvorada já perto de viajar para cumprir a missão tradicional de participar da sessão de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que oficialmente se inicia no dia 17 e vai até 27 de setembro.

O Presidente deverá perder sua grande capacidade midiática para lidar com essas situações, a princípio.  Os políticos não deverão dificultar o novo PGR, mas deverão fazer o que quiserem com os vetos da nova Lei de Abuso. Alguns estão dizendo que vão medir o que é mais ajuizado para lidar, até porque alguns avaliam que diversos vetos serão respeitados. 

Tudo isso vai se dar num momento em que o Governo Federal não esconde que não tem mais dinheiro e que o políticos vão ter mais poder ainda sobre o Orçamento Anual de 2020.

O chamado bolsonarismo vive um dos seus momentos mais críticos. O Presidente da República, quando candidato, se aproveitou de um ambiente restritivo para a vida pública. Ele uniu vários interesses que aparentemente se resumiam à pauta anticorrupção, mas que na verdade é bem mais ampla. Existe um esgarçamento que unia todas as pautas.  Ainda não se sabe o tamanho disso. Se a economia reagir, isso pode ser deixado de lado, mas até o momento não se vê muita coisa nesse sentido.

Esse setembro promete!

Presidente Jair Bolsonaro / Foto: Veja

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