Assis fala de conflitos no PT, chapa pura e governador até 2022

Ele confirmou ainda que o Governador Wellington Dias prometeu ficar até o final do mandato e quais as estratégias para 2022

Por Wesslley Sales
11/09/2019, às 10:00

Com a franqueza que lhe é peculiar o deputado Federal Assis Carvalho abriu o jogo ao falar sobre os conflitos e a disputa vitoriosa contra o vereador Edilberto “Dudu” Borges pela Presidência do Partido dos Trabalhadores. O parlamentar explicou ainda que 2018 foi o ponto de ruptura também com o Deputado Magalhães, eleito Presidente do PT em Teresina, por ter apoiado o filho do Presidente da Assembleia Legislativa para Deputado Federal.

Assis Carvalho defendeu ainda a candidatura própria à Prefeitura de Teresina afirmando que sem Franzé, uma alternativa seria o Deputado Fábio Novo. Ele confirmou ainda que o Governador Wellington Dias prometeu ficar até o final do mandato e quais as estratégias para 2022.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO – Qual o erro estratégico do vereador Dudu nesta eleição interna do PT?

ASSIS CARVALHO - A gente tem acerto interno. Tem debates, discute, já tivemos conversa que acabou em briga. Mas, da porta para fora o partido tem compromisso de dialogar diferente. O Dudu colocou o nome e usou a imprensa para chamar atenção. Foi da porta para fora e aí da porta para dentro não gostou. Isso acabou me beneficiando. O Magalhães tem uma força muito grande no Estado, é conhecido. Quando eles se aliaram eu disse a eleição aumenta e vai ganhar musculatura. Mas, no momento em que o Dudu usou essa estratégia o eleitor do Magalhães avaliou que até para chapa nacional votaria com ele, mas na chapa estadual eu tô fora, eu voto no Assis.

PDC - Governador se meteu ou não na eleição?

AC - Governador não interferiu de forma alguma. Mas, ele foi de uma neutralidade excelente. Se ele tivesse que se posicionar me dando apoio, iam dizer que o Assis ganhou porque o Governador apoiou.

PDC – Em 2018 o Senhor ficou aborrecido com o deputado Magalhães porque ele teria apoiado candidato de outro partido para Deputado Federal. Fizeram as pazes?

AC - Tá resolvido. Agora, a história não se apaga. Conversamos várias vezes e disse que tinha cometido um erro e que a história sempre iria cobrar. O Magalhães sempre foi meu aliado. Mas, em 2018 éramos aliados até início de setembro e de repente o Magalhães desaliou. Ele pegou as bases dele e recomendou voto no Marco Aurélio (MDB). Isso me incomodou bastante. Fiquei magoado porque poderia ter dado voto para Rejane (Dias), para a Fabíola, que é assessora dele e era candidata a Federal ou qualquer outro nome do PT. Mas, quando ele passou para o Marco Aurélio, ele ganhou a eleição do Merlong por 1.540 votos e ele passou mais de 3 mil votos para o Marco Aurélio. Se não tivesse feito isso o deputado seria o Merlong. Isso me desconfortou como Presidente do PT. Pegar uma liderança do PT e botar para votar em candidato de outro partido é complicado. Duvido que façam isso com a gente.

PDC – O Senhor defende a tese de candidatura própria em Teresina. Ficou mais difícil com a derrota de Gilberto Paixão para o Deputado Magalhães?

AC - Não posso deixar de reconhecer que ficou mais difícil. Eu defendo essa tese porque quando você apresenta, independente de ganhar ou não, você representa o partido e é melhor ainda sem coligação. Neste momento, em que os ventos estão a nosso favor, com o desastre nacional, então qual o partido tem maior musculatura para capitanear esse enfrentamento? É o PT. Porque tem a cara do antibolsonaro. Quando dialoguei com o Paixão meu compromisso era sermos aliados e ter candidatura própria. Mas, isso mudou.

Deputado Federal Assis Carvalho / Foto: Portal GP1

PDC – Falando ainda sobre 2018, o Senhor defendia chapa pura para o Governo e o vereador Dudu queria compor com o Deputado Themístocles Filho como vice de Wellington Dias. O que aconteceu nesta eleição do PT tem haver também com o que aconteceu em 2018?

ACSim. 100%. Tudo que aconteceu nesta minha eleição é desdobramento de 2018. Ele dizia que não tinha chance a chapa pura. A gente estabelece uma estratégia, um campo de diálogo aí vai para imprensa e diz o contrário. É uma questão que me feriu muito. Vocês acham que o Assis vai levar isso até o final? Ele tá jogando para plateia. Não dá, quem me conhece sabe que eu não sou assim. Então, isso mexe com a gente. Tive um enfrentamento com o Dudu por causa disso, ele apoiar o Deputado Themístocles para vice do Governador na última eleição. A eleição 2018 estabeleceu um stress muito elevado porque eu tinha uma estratégia que era quase unanimidade no partido e o Dudu, quando sai da reunião, ia para imprensa falar daquilo que teria sido discutido na Executiva. Foi uma das razões do meu desconforto e causou o rompimento. Eu quero dizer que ele está errado. Continuo dizendo que ele errou naquela época e erra de novo na estratégia momentânea porque não fortalece o partido assim.

PDC – É possível voltar a compor com Magalhães e Dudu?

AC - O filiado do PT no Piauí deu recado claro sobre nosso jeito de conduzir. Se alinhar com meu jeito de conduzir tá tudo resolvido. A mão está estendida. Mas, se não alinhar vamos continuar conflitando. Não tem jeito. Estou sendo eleito em 199 municípios porque esses filiados confiam em mim e saio com autoridade para montar estratégia. Em alguns deles não temos condição de ter candidatura própria. O ponto de conflito é Teresina. Às vezes o silêncio é uma voz que deveria ser ouvida. Teresina o Paixão teve o meu apoio, mas minha corrente sempre foi muito fraca em Teresina. Mas, perdemos internamente. Me chama atenção uma coisa. Quem votou no Paixão foi eleitor mais histórico que também não compareceu para votar. Então, se não vem é porque está insatisfeito com o jeito do Paixão conduzir o partido. Magalhães ganhou com os eleitores novatos que não conhecem a dinâmica do partido. Se se ele tinha 2.500 novatos e só votaram 1.300, então nem esses novatos foram. Temos que ter humildade para compreender o que está acontecendo. Temos que dialogar com os novos, mais principalmente com o eleitor histórico que se afastou e que são valorosos para nós.

PDC – Nesta perspectiva, que alternativas para o PT tentar composição como cabeça de chapa em 2020?

AC - Minha posição é lutar para organizar chapa própria. Não descarto segundo turno e compor com qualquer partido. Candidato ideal é o Franzé. Foi muito decente comigo, disse que só se não tivesse conflito. Isso é quase impossível e por isso ele deu uma recuada. Nós temos alternativas, como o Fábio Novo, candidato do meu coração. Não estou lançando ele, apenas colocando que é uma alternativa porque gosto muito do estilo Fábio Novo, se comunica bem, rapidez de raciocínio. Nós temos quadros e se sentarmos encontramos mais alternativas.

PDC – No PT tem quem diga que o Senhor está trabalhando para ser vice de Firmino Filho...

AC - A gente não controla a boca dos outros. É queimação barata. Um absurdo. Vou dizer vice de ninguém em 2022 se nem passamos pela eleição de 2020? Isso é queimação barata. Em 22, se o Governador mantiver a palavra de que fica até o final, e eu não defendo isso, não tem sentido não defender um nome do PT para Governador. Agora, se ele se afasta para disputar o Senado não serei imbecil para achar que teremos apenas uma vaga de Senador. São possibilidades. Qual a condição que a Regina estará lá? Se ele ficar até o último dia, porque não pode ser a Regina para sucessão? Vamos encontrar alternativa dialogando.

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