Candidatos ignoram decreto e programam grandes eventos no Piauí

Apesar do aumento no número de casos nos municípios, candidatos não recuam de seus eventos e colocam a saúde da população em risco

28 de outubro de 2020, às 10:00 | Editoria de Política

O aumento no número de casos de infectados pelo novo coronavírus motivou do governador do Estado, Wellington Dias, a decretar uma série de medidas para evitar a proliferação da doença no Piauí, entre elas, uma proibição de aglomerações em locais públicos. Em meio às campanhas políticas para a sucessão municipal, a determinação vem sendo desrespeitada por parte de alguns candidatos.

Na região de Valença do Piauí, em reunião, os prefeitos acordaram em suspender as carreatas e as reuniões que colocassem em risco a saúde da população. No entanto, os municípios de Valença do Piauí e de Aroazes não aderiram ao acordo. O incoerente é que Valença do Piauí, polo de saúde da microrregião, encontra-se com 100% dos leitos para COVID-19 ocupados.

Em Aroazes, apesar do decreto governamental, o candidato apoiado pela atual gestão promete realizar uma movimentada carreata no próximo dia 31 de outubro. Filho da secretária de Saúde do município, Thaisa Bonfim, ambos desconsideram o número crescente de pacientes da cidade, que, no último boletim divulgado, chegava a 109 pessoas. Somente na última semana, houve um aumento de 20 novos casos. O próprio prefeito, Tomé Portela, passou 60 dias internado, e teve graves complicações decorrentes da COVID-19 e precisou, inclusive, ser intubado.

Em outras regiões, o Ministério Público começou a se manifestar contrário às manifestações públicas. A 1ª Promotoria de Justiça de Alto Longá, por exemplo, aceitou a ação pública contra os candidatos a prefeito do município de Novo Santo Antônio, que "não realizará ou organizará eventos que ocasionem aglomerações de pessoas, como comícios, desastres preparatórias, caminhadas, carreatas, reuniões e manifestações públicas afins sob pena de multa de até R $ 100 mil ".

O Piauí já contabiliza mais de 2.368 mortes pela doença, ainda assim, os números parecem não ser suficientes para conscientizar os gestores futuros sobre a importância de uma campanha política que respeite o direito à saúde que todo cidadão tem. Ao eleitor, cabe alertar que esta é uma ótima oportunidade para a avaliação do compromisso do candidato com a saúde pública. E o ditado "é melhor prevenir do que remediar" é muitíssimo adequado para o momento.


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