Deputados trocam acusações sobre saúde na Assembleia

Os parlamentares Francisco Limma e Gustavo Neiva fizeram acusações no parlamento sobre as dificuldades enfrentadas na capital e no interior

Por Tarcio Cruz
23/04/2019, às 10:00 - Atualizado em 24/04/2019, às 18:30

O Deputado Estadual Gustavo Neiva (PSB) voltou criticar o descaso do governo com os hospitais regionais, citando como exemplo o falecimento do paciente Risomar Mendes de Carvalho, que morreu depois de esperar 13 dias para ser transferido do Hospital Tibério Nunes, em Floriano, para Teresina.

Em seu discurso, o deputado afirmou que o diretor do Hospital Tibério Nunes administra o estabelecimento pelo whatsapp na internet, tornando ainda mais graves os problemas do hospital, onde os parentes dos pacientes chegam a levar ventilador e cadeira para os leitos.

Gustavo Neiva disse que outros hospitais regionais enfrentam as mesmas dificuldades e sugeriu que a Comissão de Saúde da Assembleia dê prioridade ao Hospital Tibério Nunes nas visitas que os deputados farão para constatar as irregularidades denunciadas.

Concluindo sua fala, o deputado rebateu as acusações feitas pela bancada do governo à sua pessoa, em outro pronunciamento, de que estaria pregando o pânico, o caos. Neiva citou as matérias divulgadas pela mídia, mostrando que a preocupação não é apenas sua. Para Gustavo Neiva, a repercussão do descaso só não é maior porque a maioria das famílias das vítimas não reage.

O líder do Governo, deputado Francisco Limma (PT), considerou sensacionalismo o fato dos deputados de oposição denunciarem a presença de pacientes nos corredores dos hospitais da rede estadual, mesmo com a ocorrência de óbitos, como disse ontem o deputado Gustavo Neiva (PSB) sobre a morte de um paciente em Floriano, após esperar por uma transferência para Teresina por 13 dias, onde deveria ter sido submetido a um procedimento cardiovascular.

O deputado lembrou que viu na televisão numa notícia sobre a denúncia feita por um pai contra o Hospital de Urgência de Teresina. Ele registrou na polícia que chegou no HUT às 14 horas e foi informado que só haveria médico para atender seu filho às 20 horas. Disse também que viu na internet a denúncia de um engenheiro sobre a falta de atendimento no mesmo hospital.

“E isso ocorreu no maior pronto socorro do Estado. Se fosse em um hospital distante, em Corrente, em Uruçuí ou em São Raimundo Nonato, o fato poderia até ser normal devido as dificuldades, mas não em Teresina. Em Parnaíba, as chuvas que trouxeram bonanças, trouxeram doenças, lotando o Hospital Regional Dirceu Arcoverde. É responsabilidade da gente? Também é, mas não podemos dizer que a culpa é do governo”, disse.

Para Limma é preciso ter cuidados para não cair no sensacionalismo de alguns programas de televisão, onde o apresentador esmurra a mesa e se aproveita da miséria humana. 

“É preciso fazer o bom debate, sobretudo estudando os dados para fazermos a comparação de 2014 para cá. Será que os indicadores melhoraram? A Comissão de Saúde poderia visitar além dos hospitais, também os postos de saúde básica, fazendo discussão em cada regional. O debate só será positivo se virmos os dados. Os discursos inflamados são inoportunos”, afirmou.  

Francisco Limma e Gustavo Neiva

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