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Os problemas da educação e os desafios para 2019 no Piauí

O Estado ainda está conquistando melhores posições em rankings nacionais, mas temos dados importantes

Por Wesslley Sales
22/04/2019, às 09:04 - Atualizado em 23/04/2019, às 00:04

A Secretaria Estadual de Educação entra 2019 ainda precisando dar respostas a inúmeros problemas que vão desde a colaboração à Operação Topique, da Polícia Federal, à falta de transporte escolar nos municípios. A poucos dias, Ellen Gera, que é do corpo técnico da SEDUC, assumiu a pasta. 

Nesta entrevista, ele fala sobre desafios, metas e como resolver as dificuldades estruturais.

DC – Qual avaliação o Senhor faz da educação básica promovida pelo Estado?

EG Iniciamos o século XXI sem termos educação básica na maioria dos municípios piauienses. Ao terminar o ensino fundamental, o jovem não tinha o ensino médio e por isso precisava deixar sua cidade e vir para as cidades maiores. Uma geração inteira não concluiu educação básica e isso significa ir para o emprego informal e até o subemprego. Essa questão foi vencida. Na última década, por volta de 2005, na gestão do Governo Wellington Dias conseguimos vencer este acesso e levar educação básica pública para todos os municípios. O resultado disso é que entre quatro e cinco anos o Piauí é o segundo melhor Estado, em temos percentuais, de acesso à escola. Entre as idades de 15 a 17 anos o Piauí é também o segundo melhor Estado em acesso escolar. Para o acesso encontramos a solução. Diante disso, precismos trabalhar o aprendizado para chegar ao mercado de trabalho e ao ensino superior. Nesta década estamos acelerando esta etapa de aprendizado. A pauta é qualificar o aprendizado do cidadão piauiense. O Piauí ainda está galgando melhores posições em rankings nacionais, mas temos dados importantes. Entre 2009 e 2017 o Piauí é o terceiro melhor Estado no ritmo de aprendizado de alunos no ensino médio, na 16ª posição. Éramos o último em 2009. Mas, apesar do avanço este ritmo ainda não é suficiente e é pauta prioritária da Secretaria.

DC – Universidade Aberta segue este ritmo também?

EG Dos piauienses que residem no Piauí, 15% possui curso superior. Isso ainda é baixo, mas é bom para o cenário que tínhamos. Dá para melhorar mais porque o acesso ao ensino superior se concentrou nas grandes cidades como Teresina. Parnaíba, Picos, Floriano e Bom Jesus. Agora, na gestão do Governador Wellington Dias a partir de 2015 a 2018, expandiu este acesso através da Universidade Aberta. Ainda vamos colher este fruto, provavelmente a partir de 2022, mas precisamos avançar. A estratégia está lançada. Piauí tem se destacado nisso, pois é o único Estado da federação que conta com a oferta da Universidade Aberta na maioria dos seus municípios. Dos 224 apenas 62 cidades falta chegarmos com vestibular na própria cidade. A meta é em 2019 levar para os últimos 62 municípios. A gente aposta que com isso vamos acelerar a formação do cidadão piauiense.

Secretário de Educação, Ellen Gera

DC – Transporte escolar tem recebido muitas críticas porque muitas crianças e adolescentes deixaram de ir à escola. Qual a real situação?

EG Educação é uma pasta gigantesca. No Piauí não temos como fazer educação pública sem transporte escolar. Em 2015 começamos este serviço muito baseado nas rotas. Havia uma grande disputa nos contratos. A prioridade não era quantos alunos eram transportados, mas a quantidade de rotas que conseguia traçar em determinado território e isso iria para licitação. Era um sistema complexo. Foi modernizado e isso mudou. A empresa para ganhar tem que levar o aluno para escola. Iniciamos 2019 com problemas contratuais. Precisamos fazer nova licitação e está em trâmite. Estivemos reunidos com as empresas e o Secretário de Fazenda para garantir manutenção do serviço e agora está normalizado. Em paralelo foi iniciado processo de descentralização, porque é muito mais seguro o município fazer esta gestão que o Estado. Temos 105 municípios neste modelo e nosso compromisso é fazer com que chegue aos municípios este recurso para que eles operem o sistema de transporte escolar. Emergencialmente as empresas vão continuar com serviço normalizado, mas faremos novo processo licitatório pensando no futuro.

DC – Educação de Jovens e Adultos é sempre um desafio. Quais as estratégias para atrair este público que deixou a escola?

EGTemos pessoas com mais de 18 anos que não terminaram a educação básica. Algo em torno de 55% de cidadãos piauienses que moram no Estado não concluíram o ensino fundamental, um número muito grande. O EJA é uma questão estratégica e uma das nossas prioridades. Temos uma diretoria na SEDUC específica para isso. Alguns estados, como o Ceará, abandonaram esta estratégia, mas o Piauí é destaque nacional. Para evitar que outras pessoas entrem neste grupo estamos também estimulando o ensino profissionalizante. Estamos em um processo de estratégia pioneira no Brasil que é de universalização da oferta de educação profissional em todos os municípios do Estado. Além de fazer o ensino médio regular o aluno tem a opção de se aprofundar na educação profissional técnico enfermagem, informática entre tantos outros à disposição na rede estadual.

DC – Quais as metas que o Governador espera para esta gestão?

EGOlhando para educação temos projeção de avanços no IDEB. No ensino fundamental de 4 pontos em 2017, para 4.4. Isso é o que nos permite avançar na taxa de aprendizagem dos nossos alunos. No ensino médio, termos um IDEB com meta de 3.8. É objetivo reduzir distorção idade-série, que gera um EJA no final. Vamos continuar com tempo integral, atualmente com 79 escolas neste modelo. Temos indefinições no MEC. Para orientar alguns problemas estamos aguardando plano de fomento para 2020. Vamos continuar trabalhando o projeto de inclusão universitária, inclusive com transmissão de revisões do Pré-Enem para milhares de estudantes.

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