Protestos marcam análise das adequações à Previdência do Piauí

Todos os discursos de sindicalistas e representantes de categorias realizados no Cine Teatro da Assembleia convergem para a retirada do regime de urgência da proposta

11 de dezembro de 2019, às 16:00 | Vitor Fernandes

A manhã desta quarta-feira (11/12) na Assembleia Legislativa do Piauí foi marcada por protestos e debates acalorados. A ALEPI realizou uma audiência para tratar sobre a Reforma da Previdência, o que gerou manifestações incisivas dentro e fora da Casa.

Representantes de diversos sindicatos e de entidades de classes ficaram desde cedo realizando pronunciamentos. A audiência aconteceu a portas fechadas, provocando revolta nos manifestantes. Eles tentaram remover as grades para entrar na Assembleia, mas a Polícia Militar interveio para dispersá-los. Uma pessoa foi presa suspeita de agredir um policial.

Todos os discursos de sindicalistas e representantes de categorias realizados no Cine Teatro da Assembleia convergem para a retirada do regime de urgência da proposta. 

A presidente do SINTE-PI, Paulina Almeida, criticou a idade para aposentadorias das mulheres. Para ela, o Índice de Desenvolvimento Humano do estado não permite que haja essa modificação e cobrou adequação da medida à realidade do Piauí.

“Não dá para debatermos com urgência desse jeito. É um projeto nefasto à classe trabalhadora”, disse.

Vilobaldo Carvalho, vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sinpoljuspi), afirmou que os agentes terão “uma facada no contracheque”, e que a proposta do governo estadual “é uma versão piorada do Governo Federal”.

O presidente do Sindicato de Delegados de Polícia Civil do Piauí (Sindepol), Higgo Martins, falou sobre as ações executadas no Estado e pediu respeito à categoria. Ele acredita que os delegados não estão sendo valorizados.

O representante do Sindicato dos Empregados dos Estabelecimentos em Saúde do Piauí (Sindespi), José Pacheco, refutou o argumentos do Governo de que a Reforma é necessária para que o estado obtenha o Certificado de Regularização Previdenciária. Ele afirma que o atual CRP vige até maio do ano que vem e que, portanto, há mais tempo para discussão.

“É um debate de 30 anos que querem fazer em 10 minutos. Não há justificativa técnica para o regime de urgência. Há a necessidade de reforma e há déficit, mas é preciso ter honestidade para discutir o conteúdo da reforma”, argumentou.

Já o presidente do Sindicato de Policiais Civis (Sinpolpi), Constantino Júnior, fez uma comparação entre a Reforma da Previdência estadual e a aprovada pelo Congresso Nacional. Ele conta que o presidente prometeu apoio às categorias policiais na época de campanha, mas que tem virados as costas aos policiais depois de eleito. “Um grande covarde que jogou os policiais na lata do lixo”, disse.

Rosângela Assunção, coordenadora-geral da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Piauí (Adcesp), refutou o argumento de que o número de inativos está ficando maior que o número de ativos. Segundo ela, isso ocorre por falta de concursos públicos. Também questiona a citação dos professores no projeto.

“A lei não deixa claro o tratamento a ser dado aos professores, que ora aparecem no texto, ora desaparecem”, criticou.

O presidente da Associação dos Oficiais Militares do Piauí, major Diego Melo, relatou que os militares estão inclusos na reforma e pede a retirada. O Governo havia informado que estes seriam abordados por projeto analisado pelo Congresso.

Quem também se pronunciou foi a vice-presidente da OAB-PI, Aline Patrício, que recebeu visita recente da deputada Teresina Britto (PV). Aline afirma que a Reforma da Previdência é “um retrocesso a direitos e garantias fundamentais” e que irá acompanhar ponto a ponto do texto.

Audiência Pública na Assembleia

Vários representantes de categorias falaram durante a audiência

Um forte esquema policial foi montado para limitar o acesso a Assembleia

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