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“Precisamos viajar e descobrir o Brasil”, propõe Regina

A senadora relatou as conversas que teve com as famílias de vítimas e de acusados de uma morte e um estupro na cidade de Uruçuí, sul do Piauí

Por Da Redação
15/06/2017, às 01:06 - Atualizado em 18/06/2017, às 23:06

Em Uruçuí, convivem duas faces de uma mesma tragédia: o assassinato de um jovem de 19 anos e o estupro de sua namorada, grávida de 15 anos de um lado e o desamparo das famílias dos adolescentes que cometeram o crime, de outro. Nesta terça-feira (13/06), na Comissão de Educação do Senado, a senadora Regina Sousa (PT-PI) relatou as conversas que teve com as famílias de vítimas e de acusados – três adolescentes com idades entre treze e quinze anos.

Ao se encontrar com as famílias dos jovens criminosos, a senadora disse que percebeu a total ausência do Estado em várias gerações de cada família. 

“Para os avós, a presença do Estado só surgiu de fato com a concessão da aposentadoria. Os pais são totalmente desestruturados e a mãe de um dos meninos passou a beber desde o dia do crime - nunca mais parou de beber cachaça; a mãe do segundo garoto disse que o filho era um menino bom até o início deste ano e ela não sabe a quem recorrer e o terceiro, desde os dez anos está no crime, apesar de a família ter tentado de tudo para afastá-lo”, enumerou.

Com a voz embargada, ela relatou o que ouviu do pai de um dos acusados: “naquele dia (do crime), se eu tivesse levado ele para a roça, não teria acontecido isso”.  Ela contou ter sido muito difícil deparar com a situação e foi consolada e recebeu o apoio do senador Cristóvam Buarque (PPS-DF): “É bom saber que existe ainda senador que chora com as tristezas ao redor”, disse.

Senadora Regina Sousa (PT-PI). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A senadora continuou, propondo um mutirão para que as pessoas conheçam o País. 

“Acho que a gente precisa botar o pé na estrada e conhecer ao menos nosso próprio estado, porque há muita gente escondida que o Brasil não viu ainda”, disse. 

Segundo ela, há pessoas invisíveis, que precisam ser incluídas.

Como exemplo, ela citou a população mais pobre da cidade de Uruçuí. Trata-se de um município que se tornou fronteira agrícola, por conta da produção de soja. Com isso, a renda per capita é alta, mas extremamente mal distribuída. 

“A riqueza fica para alguns, para os que produzem”, disse, relatando que houve uma corrida para a cidade, que também convive com imensa população flutuante. “É uma cidade que precisa de atenção”, observou.

A audiência pública realizada na Câmara de Vereadores, de acordo com a parlamentar, apontou caminhos. "Esse é um exemplo de que precisamos descobrir o Brasil”, concluiu.

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